sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Guarda-chuva amarelo, galochas vermelhas e doce Tekinha


Quando eu era pequenina tinha um guarda-chuva amarelo, gostava tanto dele que sempre torcia para que chovesse para poder ir com ele para a escola. Caminhava pulando poças d’água, desejando também ter um par de galochas vermelhas que nunca tive, e isso me faz sentir saudades dessas galochas que nunca existiram, e me perguntar o porquê de não as ter tido até hoje. Elas ficaram nos sonhos, nos desenhos, e quem sabe quando a próxima temporada de chuva aparecer eu não compre um par de galochas vermelhas? As chuvas até mudaram, mas quem sabe. Nunca desisto de pequenos sonhos, a vida é feita desses detalhes de pequenezas que mudam tudo. Eu não seria a mesma sem o detalhe do meu guarda-chuva amarelo naqueles dias serenos e calmos, sem meus pezinhos pulando e adorando chover. Não seria a mesma sem os sonhos que cultivei com mãozinhas plantadoras e regadoras.


Sempre desejei ter um animalzinho na infância, mas não tive. O gatinho preto que me transformaria em uma bruxinha não apareceu. Mas hoje depois desses anos, tenho uma cachorrinha preta meio fada de mágica. Ela é doce, doce Tekinha, gosto quando estou lendo uma história mágica e ela vem se encostar em mim e adormece, ela é quentinha e macia, e sinto-me em uma floresta em outro tempo, e mesmo se está muito calor, lá fora de repente faz outono, chove em uma primavera fresquinha, com as chuvas da infância que bateram em meu guarda-chuva amarelo. De vez em quando usamos coroas de flores e sorrimos. Acho que sonho demais, já me disseram isso, preservo instantes serenos, e não tenho vergonha de me coroar em algum conto de fadas.

Percebo que meu coração precisa ter o guarda-chuva amarelo que já tive, mesmo que seja outro, e as galochas vermelhas que enfim terei. Antes pensava que era apenas uma falta algumas coisas não acontecerem no tempo que eu queria, hoje percebo que tantos lindos detalhes aconteceram, e se alguns não aconteceram, apenas foram preservados para outra data. Como o animalzinho mágico, como tudo que ainda preserva meu pequenino coração, para nunca se perder e viver sempre com porções de mágica, colocando um barquinho a navegar em uma enxurrada que leva para o reino das fadas, me colocando a voar nas florzinhas dente-de-leão, que me levará a ser passarinho nas nuvens. 

sábado, 20 de agosto de 2016

Passos Chuvosos



As coisas mudaram,
as chuvas não são mais como antes,
nem os ventos, as estrelas, as nuvens.
O tempo também não é,
as palavras, nem mesmo o silêncio.
Já percorri com passos chuvosos,
com galochas sonhadoras pulando poças d’água.   
Já percorri passos ensolarados
onde as árvores pousavam sombras.
Os caminhos ainda guardam as essências,
ainda pulsa um coração mágico,
um sabor de suco de maracujá
um doce acalentar de bolinho de chuva.
E o segredo é caminhar mudando
erguendo horizontes,
na aventura curiosa de um livro de fantasia.
O segredo é não perder a miudeza que te fez,
que te é,
que te sempre vai ser.
Carrega contigo ainda esse caminhar,
passos regadores são para sempre.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Receita para o cansaço e a tristeza



E quando se sentir cansada e triste,
fecha os olhos devagar,
inspire e respire um sentimento mágico,
voe para uma nuvenzinha do seu pensamento,
que chove suavemente em canção.
Escute, durma e sonhe.
E no sonho sopre um ventinho,
daqueles macios
para o cansaço dissipar-se de seu coração.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016