quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Coletes de elfos e sapatos de duendes de um delicado natal



“Há algo de delicado sempre no natal”, era isso o que dizia o bom urso. O dia do natal se aproximava e naquela manhã ele descia com a dona ursa as montanhas, os dois andavam e observavam o primeiro nevar. Ah que encanto trazia para o coração dos dois essa caminhada! Com seus coletes de natal eles cantavam, coletes estes feitos pelos elfos. Os sapatos foram feitos pelos duendes, pois os ursos eram amigos dos seres mágicos, e assim eles viviam sempre com os corações quentinhos comendo biscoitos com mingau e vendo delicadezas nas suas caminhadas, que não se fazia doer os pés por conta dos sapatos mágicos e que nem se fazia esfriar o coração por conta dos coletes!
Como era um tempo querido o natal, de era uma vez para sempre. As montanhas distantes dos ursos e seus passos na neve era como uma canção, como se de lá viessem as vozes da primeira canção das delicadezas. 

sábado, 20 de outubro de 2018

Para o dia das bruxas com solicitude


Tem momentos que somos feitos de sonhos, e tem datas que as portas mágicas ficam mais abertas dentro do nosso coração. E outubro é assim, janelinhas e portas abertas para os caminhos mágicos, e se você atravessar um portal de pedra adornado por flores e folhas, irá encontrar preciosidades feitas para sorrir.
Foi assim que perto do dia das bruxas passei nesse portal encantado, e vi cenas de aquecer o coração.
Vi a dona bruxa ursinha, que prepara no seu caldeirão o mais saboroso doce de abóbora da floresta, provei um pouquinho e posso assegurar: doce de abóbora melhor não há! Dizem que quem encontra tal ursinha volta mais doce para o mundo humano, pois doçura é mágica desconhecida, mas que ainda será descoberta como mágica, afinal na doçura muitas coisas se realizam.


Segui meu caminho e começou a chover, abri meu guarda-chuva, pois como sempre ensinou minha mãe, é bom levar o guarda-chuva quando pode começar a chover. Encontrei nesse trajeto chuvoso a sapinha bruxa, ela é pequena e não pode carregar abóboras gigantes, então ela carrega pitanguinhas que ela colheu na floresta de pitangas para enfeitar sua casa. Seu guarda-chuva é claro que é um cogumelo das fadas! Encontrar a sapinha é sinal de ternura, e ternura também é outra mágica em que as coisas dentro dela são mais fortes.


Continuando meu caminho encontrei a coelhinha bruxa que me convidou a colher abóboras e temperos para uma deliciosa sopa. Mais quentinha sopa nunca se viu. Quase anoitecendo foi um convite de bom sono, e é preciso bom sono para bons sonhos, pois mente cansada não trabalha realizações de amor. Então dormi nesse mundo encantado, fechei os olhos e foi só música encantada que cantou dentro de mim.


E é assim, tem momentos que somos sonhos e magia, atravessando portais infinitos dentro e encontrando solicitude, e agora que percebi a beleza dessa palavra.

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Cartinhas na floresta de cogumelos





Levar essas cartinhas e sonhar. Era assim que a raposinha passava pela floresta mágica de cogumelos, lá no meio das árvores se preparando para a primavera. Com um aventalzinho de piquenique, porque mandar cartas distantes também era um piquenique perto, tudo são questões essas de imaginação. Lá no meio das árvores, uma caixinha vermelhinha que também lembrava um cogumelo da floresta, ficava esperando as cartas que seriam enviadas, um passarinho carteiro as pegaria no fim de tarde.  Raposinha escrevia cartas como quem planta flores e espera primaveras, com sua letrinha miúda, construía versinhos nos papéis sonhadores. E quando colocava sua cartinha delicadamente, voltava para casa cantarolando um versinho:

“Pela floresta ando
sendo um conto de fadas.
Pela floresta sonho
sendo uma cartinha encantada.
Entre árvores que esperam primaveras,
cogumelos de fadinhas de lá.
Aqui serena e canta meu coração
que rima com muita simplicidade
como as folhinhas no chão". 

Entre rimas de serenidade, a raposinha chegava em casa, preparava um chá quentinho, comia um pedacinho de torta caseira e sentava na sua poltrona. Abria mais um livro de versos, e deixava as palavras cantarem agora em silêncio dentro de si, com o doce cheirinho dos carvalhos entrando pela janela, pois morar em floresta é suspirar árvore. 

domingo, 22 de julho de 2018

Encantos da Floresta


Seu coração é como uma coelhinha selvagem primaveril. 
Há girassóis e doces frutinhas silvestres, 
pulsa veloz e macio 
como passos entre as árvores verdes. 
Tens um coração guardador de primaveras esquecidas.




Seu coração também é espelho da floresta,
só os lagos mais longínquos
dos bosques ancestrais de carvalhos
conseguem refletir as palavras que existem dentro dele,
recitar e cantar como poema e canção. 



Seu coração é ursa das montanhas 
e da constelação. 
Há perfume de lavandas 
e as abelhas pousam para contar histórias 
de outros campos floridos ao leste. 




Seu coração por fim adormece
e guarda margaridas.
Como uma raposa da floresta,
protege as flores quando elas dormem 
e cuida de seus sonhos.




És algum encanto da floresta
e no seu coração mágico 
as folhas e flores,
e silenciosas raízes,
vem em ti repousar.