segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Exercício de Magia.

Gostava de imaginar que aquele balanço era mágico, pensar que as coisas todas fossem mágicas era um exercício bonito de todos os dias, lhe dava uma sensação de mil pássaros e borboletas a puxando pelas mãos, pelo coração.

Começara o exercício desde que era um toquinho de gente, sua avó lhe deixará no jardim, e viu uma borboleta e uma joaninha perto uma da outra, a borboleta estava com as asas machucadas e a joaninha estava com as perninhas, “pobrezinhas, estão dodóis, como as pessoas ficam” pensou ela. Mas para sua grande surpresa, as duas voltaram a voar e a andar em um tempinho. Era mágica, e desde então tudo que olhava botava uma explicação mágica.

Cresceu um pouquinho e continuou com o exercício sereno, assim a vida ficava mais fácil e mais bonita para acreditar, definitivamente não dava para acreditar na vida sem um pouquinho de magia, as pessoas que diziam que não havia magia, não acreditavam na vida.

Um dia achou o balanço na árvore solitária, a chamou assim não porque gostava da palavra “solitária”, achava bem triste, mas assim era a árvore distante das outras, parecia solitária de tudo, pássaros, flores, folhas, e viu o balanço de cordas gastas também tão sozinho, parecia que ninguém balançava ali havia muito tempo.

Pensou que aquele lugar estava sem mágica, e começou a arrumar o balanço, deu cordas novas a ele, um novo pedaço de madeira, e o rodeou de flores. E assim começou a se balançar, a ler perto da árvore, e aos poucos seu balançar mágico deu vida novamente para a árvore, que recebeu mais pássaros, borboletas, até coelhos, um dia chegou um coelho com uma flor agradecendo a menina, "magia!" Foi só o que conseguiu pensar.

O balanço mágico virou seu lugar em segredo e encanto, apesar de achar que o balanço havia dado novamente vida para a árvore, não o foi, foi ela que não suportou ver uma árvore sozinha sem passarinhos, com um balanço quebrado sem ninguém para balançar.

E o exercício da magia continuou, acreditando nas magias de fora, e fazendo descobertas das magias que moram dentro, e que se pode construir e criar. O exercício da magia sempre continua.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Adormecer e Acordar.

Demora a se fechar os olhos por causa das estrelas,
não há de se dormir tanto quando se tem elas.
Porém o sono sempre chega,
e vai se fechando nossos olhinhos cansados,
e quando os olhos se fecham
o sono ganha mais uma letra e vira sonho,
e nos sonhos as estrelas ficam mais próximas.
Demora-se a abrir os olhos pela manhã
por causa das estrelas tão próximas dos sonhos,
mas o despertar sempre chega,
e vai se abrindo nossos olhinhos cansados,
e quando se abrem
há um amanhecer para se olhar
e sonhos para acordar.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Olhos de Nuvens.

Parece um poema
com letras feitas de nuvens
os olhos seus, que me inspiram
um pedaço de céu.
E fico a esperar,
sempre esse instante de voo,
leve e livre.
Esse instante de ser
suave e verdadeiro.
E parece que vou pastoreando as nuvens
com os olhos abraçados aos seus.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Preservando o bom dia.

O dia ao amanhecer lhe trazia um bom dia. Dos pássaros a suspirar músicas, o silêncio da flor se abrindo para a manhã, o ruído do vento nas folhas das árvores, o céu que se abria em um bom dia cor azul aquarela, as nuvens que pareciam sorrir.

Neste desabrochar de mais um dia, sorrisos eram fáceis de encontrar ao abrir o coração para o bom dia. Olhava as primeiras borboletas, uma nuvem tímida que prometia chuva ao raiar da tarde no horizonte.

Para receber o dia, era preciso estar. Olhou para o laguinho e a mãe pata lá estava para mais uma lição de navegar com seus patinhos. Sorria ao ver tal cena no começo da manhã, na navegação calma dos bichinhos sentia outro bom dia, e até conseguia encontrar de leve seu coração.

E como quem olha para tudo que faz amanhecer, com querer e sem querer, permanecia dentro todo um renascer, preservava todo o bom dia que tudo que se precisa ver lhe dava.

Des-Esperar no céu.


Eu disse a mim mesma que não posso me desesperar, não posso, porque o céu sempre há de suspirar coisas bonitas.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Escuta.


- Dirás de forma leve que não acreditas na música do seu coração, sem perceber que ao dizer já está cantando.

- Ficará a escutá-la mesmo sem tantas palavras de felicidade?

- Ficarei a escutá-las sempre, todas as canções que vem de ti.

- E se um dia não quiser mais escutar as palavras?

- Por isso há as músicas instrumentais, sem palavras, que são só pela melodia que se fazem, sem necessitar de palavras de tristeza ou de felicidade.

- Mas as músicas instrumentais também tem palavras, as de dentro dos sentimentos de quem as fazem, que são tão difíceis de dizer, que só sai a melodia, que só sai a forma do sentimento e não a palavra em si, palavra que às vezes nem se tem, e as melodias mostram se há tristeza ou felicidade.

- Acho que você está certa, o importante de tudo é que com palavras ou sem palavras em tuas músicas sempre te escutarei, até se não houver som algum, mas tu sempre estarás a cantar, e junto de ti também vou cantando em palavras ou só nas formas dos sentimentos que saem de mim. Que serão meus gestos, meus silêncios, meus olhares, meu abraço, todo meu eu.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Um só suspiro.

Ela estava por um só suspiro, e poucas pessoas entendiam o que para ela seja estar por um só suspiro, poucas pessoas sabem o que seja um suspiro talvez, e o dela era diferente do que dizia o dicionário.

Estava frágil, a saúde era frágil, como uma pétala debaixo de um sol muito quente que começa a murchar. Eram tardes de verão, quente, céu azul, chuvas, tudo ao mesmo tempo, sendo perigo para toda a fragilidade.

Debaixo daquela árvore olhava o céu, e buscava quem sabe a chegada de um anjo. Nas mãos aquelas cartas que algumas pessoas haviam lhe deixado, cartas que diferente de seus donos não eram passageiras, não eram despedidas, as palavras ainda estavam ali, todas as cartas foram deixadas, talvez o seu destino fosse esse, ficar com as cartas enquanto os outros vão, ela fica com as palavras embrulhadas de lembranças, fica com as palavras do passado.

Estava sozinha, normalmente a fragilidade é deixada sozinha.

As lágrimas desciam pela face, e o vestido de poucas flores balançou bem pequeno com a pequena brisa, tentou esboçar um sorriso quando uma nuvem se transformou em um anjo, mas não conseguiu, foi tudo tão breve, quando viu as cartas já não estavam mais em suas mãos, estavam perto das margaridas, acolhidas e guardadas pelas flores. E ela apenas com um suspiro adormeceu. O anjo de nuvem pegou suas mãos, pegou sua fragilidade solitária e a levou para o céu.

No dia seguinte, as palavras das cartas tomaram forma, e lá estavam eles, olharam para ela sem suspiros, e só conseguiram falar:

- Achamos que você nunca ia se despedir!

Não olharam para o céu, nunca viram uma nuvem em forma de um anjo segurando a mão de uma moça.

O sorriso que ela não deu hoje se esboça na nuvem de que é feita. Jamais imaginou que pudesse ficar sorrindo, tendo uma vida de tantas lágrimas.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

De céu e de cores.

E o dia se vai, um pouco nublado, e nas nuvens se formam espaços como se tivesse em cada um deles um pequeno sol. E entra uma cor na janela de pôr-de-dia que acalenta até os objetos, há dias não se teve essa cor entrando pela janela. Tem dias que é preciso de nuvens escondendo um sol, de forma que o transforme em mil pequenos sóis, para se formar uma cor que parece abraço.