terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Brevidade

Porque uma vida longa cheia de decepções?
só espero que minha vida seja breve,
apenas a brevidade de um acender e piscar de luzes.
Há muito sonho aqui
para uma realidade tão diferente e confusa.
E meu coração já virou praticamente um mar
das lágrimas que deslizaram para lá.
Agora ele abriga profundezas,
estrelas-do-mar,
cavalos marinhos,
conchas cheias de músicas
que nunca serão ouvidas
por estarem muito imersas.
As asas já estão cansadas,
molhadas de tanta água
pesadas demais para voarem.
E meu reino não é o aquático
e nem os céus,
é o terrestre,
onde minhas mãos procuram um lugar melhor
tentando dar direção aos pés que fingem caminho
quando não há mais trajetória,
apenas a vontade de adormecer.
E vou desejando a brevidade,
breve como entrou.
Inútil, serena, suave, doce…
Breve como se nunca tivesse existido.

Um comentário:

Lucas - Blog: Overture disse...

De repente, a moça dos poemas e textos leves, primaveris, de pássaros, ursos, chuvas e sonhos coloca esse poema intenso, inquietante, difícil, extremoso!
Será melhor a brevidade? Terá de ser a vida longa cheia de decepções? O risco das decepções já vale preferirmos a brevidade? Sermos breves como se mesmo nunca houvéramos existido?!
Há algo de mágico nesse poema, e de muito inquietante! No que ele é perfeito! Beijossssssss