quinta-feira, 24 de julho de 2014

Uma Carta para a Ovelhinha


Todos os dias a ovelhinha encaracolada passava pelo vale, atravessava o campo, subia a pequena montanha, respirava o jardim e chegava à caixinha de correio. Lá um passarinho fizera um ninho, o que incomodou demais a ovelha, ela pensava que se deixassem uma carta para ela, o passarinho poderia pegar e sair voando com ela.
Mas a carta que a ovelhinha tanto esperava nunca chegava, e a tristeza pela carta que nunca chega é difícil, e um dia perto da caixinha ela começou a chorar.
- Porque chora tanto? – perguntou o passarinho.
- Espero uma carta que nunca vem – disse ela.
- Como pode esperar por algo que sabe que nunca vai vir?
- Eu não sei – disse a ovelha pensando – só sei que se eu não esperar ai que fica mais difícil não é? Eu queria um dia receber uma carta.
- Por quê?
- Porque minha tia disse que cartas são um presente de amor, que quando alguém ama muito você, para um pouquinho, respira fundo e escreve uma carta. Acho que ninguém me ama.
- Devem amar sim e logo uma carta para você deve chegar.
A ovelhinha encaracolada enxugou as lágrimas e foi para casa. Continuou sua caminhada de todos os dias pela carta tão esperada. Começou assim a conversar muito com o passarinho que antes não simpatizava.
- Você é tão azul! – dizia ela.
- E você é tão branquinha! – dizia ele. 
E cada dia gostavam bastante um do outro. 
Teve um dia que choveu sem parar, a chuva riscava na janela pequenos fiapinhos de água, e a ovelha enfim pensou “gosto tanto daquele passarinho, vou escrever uma carta para ele”. E escreveu. Pegou um papel azul bonito e começou a escrever muitas palavras. Depois de pronta pegou seu guarda-chuva e foi caminhando para a caixinha. 
O passarinho estava aconchegado lá dentro para se proteger da chuva dormindo silenciosamente. A ovelhinha encaracolada colocou então a cartinha bem perto dele sem fazer nenhum barulho e foi embora.
Quando amanheceu, o sol douradinho na grama se estendeu, e ali do ladinho da ovelhinha uma carta bem pequenina se encontrava. Ela sorriu tanto e tanto, e começou a ler as palavrinhas do passarinho. E a carta que tanto buscava chegou até ela cheia de asas, a encontrou quando ela também encontrou um amigo que lhe despertou a vontade de escrever. 

6 comentários:

Washington Albuquerque disse...

Caraca, é sempre delicioso ler seus textos <3 rs Este em especial ficou uma fofura que só, e me fez pensar nas cartas, algo raro hj em dia, não? Mas é bom escrever e receber.

Isso aí.
xoxoxo
ugdu :)

Lucas - Blog: Overture disse...

Nada mais meigo que uma ovelhinha e um passarinho que inspiram um ao outro. Grandes amizades e também grandes romances surgem disto. Beijosssssss

Catarina Luna disse...

que palavras bonitas e ternurentas, querida Gaby! :)

© Piedade Araújo Sol disse...

sou repetitiva, mas acho que você escreve muito bem pequenos contos infantis.

eu gostei de ler e senti-me novamente criança.

:)

Graça Pires disse...

Que história deliciosa!
Beijos.

Aline Teles disse...

Que amor! Ainda bem que ele encontrou, além de uma carta que tanto queria, um grande amiguinho.
"Porque minha tia disse que cartas são um presente de amor, que quando alguém ama muito você, para um pouquinho, respira fundo e escreve uma carta", acho que tia está coberta de razão, risos. Beijos.