terça-feira, 3 de setembro de 2013

Carta, biblioteca, luz e chuva.



Querida Sophie,

fiquei esperando a chuva passar um tempão, estava até muito bom, eu fiz aquele chá de hortelã que combina com dias chuvosos e peguei uma folha para começar a lhe escrever uma carta, há tanto não te escrevo, nem sei como as folhas que guardei para isso não estão todas amareladas.
Logo chega a primavera e essas chuvas de primavera são lindas e regam tudo que está nascendo novamente, e ontem eu fui até a biblioteca, sabe que abriu uma biblioteca aqui? Coisa linda de se ver, quando vi meus olhos ficaram encantados, havia conhecido a biblioteca do reino de Meridir, e essa aqui tem um aconchego só, que só a biblioteca de um pequeno vilarejo pode ter. Vou para lá quase todos os dias, há tantos livros e eu fico querendo ler todos, principalmente aqueles de terras distantes, de fantasias, de sonhos, de poesias.
Ontem no caminho encontrei dois patinhos no lago, ainda caia uma garoa fraquinha, e eles saíram de lá e me seguiram, são meus amigos, pelo menos acho que eles gostam de mim, e eu gosto deles. Depois encontrei com o coelhinho das abóboras, é engraçado ter duas abóboras em frente da biblioteca, mas o coelho sempre as leva para lá, não se separa das abóboras, acho tão engraçado, um dia conto melhor a história dele, fica parecendo até que é o dia das bruxas! E encontrei com coruja, ela sempre está ali perto da biblioteca, não sempre é claro, ela pode voar, e quando se voa se vai há muitos lugares e não se fica sempre em um lugar, é que seres alados precisam pousar também embora suspeite que eles conseguem pousar em nuvens e tem tanto, mas tanto passarinho lá nas nuvens, que você nem acredita.
Ao chegar na biblioteca já sinto o cheiro de histórias, e com minha cestinha vou e devolvo os livros que tinha pegado, deslizo pela prateleira e pego mais, às vezes leio algum curtinho ali mesmo, e levo sempre uns maiores para casa. Quer ouvir uma poesia, ler na verdade, é de um livro curto que li ontem mesmo lá, mas que é tão bonita que você vai até ouvir e não só ler:

O vento soprou uma luz
Para dentro da janela.
Na toca do coelho,
No ninho do passarinho ,
Nos corais dos peixes do mar.
Tudo iluminadinho.
O vento soprou uma nuvem que choveu,
E regou todos os corações
Que primeiro a luz recebeu.

Bonito não é?
Espero que essa carta te encontre bem e derrame luz e chuva no seu coração, as plantas para crescerem precisam de luz e chuva não é? E de um carinho todo espaço, carinho que derramo nessa carta.

Um beijo de livros,

Bonnie. 

6 comentários:

*Escritora de Artes* disse...

Oi Gaby,

Já pensou, que maravilha seria receber uma carta assim?


Que graça de texto...

Bjos

© Piedade Araújo Sol disse...

uma carta que seria um balsamo para quem a receberia.
você coloca sempre a suavidade e a bondade em todas as suas palavras.
muito boa semana de inspiração e
beijo

:)

BIA disse...

Uma carta doce com um lindo cenário poético tornando os livros mais encantadores. Uma leveza Gaby!!! *__*

Bjs :)

Zilani Célia disse...

OI GABY!
RECEBER UMA CARTA ASSIM COM TODO ESTE CARINHO, QUEM NÃO GOSTARIA?
DOCE INSPIRAÇÃO, COMO SEMPRE.
ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com.br/

António Jesus Batalha disse...

Estou alegre por encontrar blogs como o seu, ao ler algumas coisas,
reparei que tem aqui um bom blog, feito com carinho,
Posso dizer que gostei do que li e desde já quero dar-lhe os parabéns,
decerto que virei aqui mais vezes.
Sou António Batalha.
Que lhe deseja muitas felicidade e saúde em toda a sua casa.
PS.Se desejar visite O Peregrino E Servo, e se o desejar
siga, mas só se gostar, eu vou retribuir seguindo também o seu.

Regina Melo-Jocknevich disse...

Ola Gaby, seja bem-vinda a Casa de Retalhos, e muito obrigada pelo carinho.

Texto lindo e magico. Gostei muito.
Abracos