quinta-feira, 11 de abril de 2013

Uma Historinha simples e o guarda-chuva amarelo.


Era dia de chuva e dia da mãe levá-la para a escolinha, iriam caminhando como sempre pelas ruazinhas já tão conhecidas para pouca idade, suas mãozinhas seguravam as mãos de sua mãe como se nunca fossem soltá-las, nunquinha, e apesar da felicidade de ir para a escolinha, para o “parquinho” como dizia, pois lá havia um enorme parquinho onde ela balançava e balançava, rodas, gangorra, um escorregador que apesar do medo de escorregar, um dia ficou aprendendo a delícia de escorregar de um cantinho mais alto e chegar em pé lá no chão, simplesmente ela chamava de parquinho, onde pintava com tinta guache seus desenhos mais tortinhos e bonitos, onde se sentava na mesinha junto com as outras crianças e pegava sua lancheira para comer o lanche que a mãe havia preparado mais cedo com todo carinho, como gostava de tudo aquilo.
Caminhava ao lado da mãe com seu tão querido guarda-chuva amarelo, o guarda-chuva que ela pensava que iria ter para sempre, não importaria se crescesse muito para ele, guarda-chuvas amarelos verdadeiros sempre servem. Caminhava com os pezinhos batendo nas calçadas molhadas, olhava para a mãe com seu guarda-chuva azul escuro, sem desenhos, o dela tinha muitas florzinhas e abelhas, mas gostava mesmo assim do grande guarda-chuva da mãe, embora a mãe nem fosse tão grande.
Chegavam ao portão da escolinha e se despediam. Em dias de chuva como aquele ela não ficaria no parquinho, e nem daria cambalhotas na grama, mas faria muitas pinturas na sala, e se sentiria uma pintora por suas pinturas tortinhas. Faria colagens, faria bonecos de massinha, iria desenhar no caderno novo de desenhos, e tão pequena já iria cheirar as folhas de papel, e com toda sorte e felicidade, iria ouvir uma linda história, um conto de fadas talvez.
No fim da tarde a chuva foi parando aos poucos, dando lugar para alguns pequenos raios de sol, saíram um pouquinho para explorar o parquinho após chuva, e sentadinha perto de um canteiro, ela olhou as flores, as margaridinhas que tanto gostava, elas ficavam junto com graminhas bem pequeninas, onde passavam os seres mais pequeninos, onde voavam outros seres pequenos, onde tracinhos pequeninos de luz iluminavam. A florzinha estava toda aberta para o grande, mas vivia no pequeno, e sua pequeneza era sua dádiva, era sua grandeza. Ela queria viver uma história simples e plena, que enchesse seu coração de mágica serena, daquelas em que os pequeninos gnomos falam com a gente de como cuidar de um jardim. Uma abelha parecida com as que tinham no seu guarda-chuva amarelo pousou em uma margarida, ela encantada colocou a mão, mas as abelhas às vezes são muito assustadas, e a picou. Doeu tanto!
Nunca talvez esqueceria a dor da picada da abelha, no portão na hora de ir embora contou para a mãe sobre o que havia acontecido, que a professora lhe salvou, mas tinha sido picada e que nunca esqueceria a dor, mas que ela nem foi muita coisa diante do dia tão bonito e das florzinhas.
E lá foi ela pelas ruas com a mãe de volta para casa, sentiu o cheiro de volta do parquinho, e começou a chover novamente, chegaria em casa e talvez comeria bolinhos de chuva, leite quente e assistiria um desenho bonito, e mostraria para a mãe seus desenhos do dia. Ela abriu seu guarda-chuva e ficou olhando para ele, para as abelhas, para as gotas que caiam, e pensava na proteção que era seu guarda-chuva, que molhava mesmo assim seus pezinhos, que apesar do jardim, havia abelhas que picavam forte, apesar de serem bonitas. Mas é que elas são bastante assustadas. O que não se podia fazer era deixar margem para dor, porque apesar de um ferrão poderoso, elas fazem mel não é?
Como queria que aquele guarda-chuva lhe servisse para sempre, que crescesse junto com ela, mas não há problema, como eu disse, guarda-chuvas amarelos verdadeiros sempre servem. 

4 comentários:

© Piedade Araújo Sol disse...

você coloca sempre muita ternura nas palavras e nas historias.
beijinho
:)

BIA disse...

Que doçura seu texto Gaby!!!
Obrigada por responder minha pergunta, eu achava que você fosse do SUL também!!!
Bjs :)

*Escritora de Artes* disse...

Olá querida Gaby,

Na minha imaginaçao, essa criança era vc....

Linda história

Bjos

ALUISIO CAVALCANTE JR disse...

Querida amiga

Há na doçura
de teu texto,
a lembrança
de um amor simples
e que desejaríamos
ter para sempre
ao nosso lado.

Acorda a alegria em ti,
como quem acorda uma pessoa muito amada...