quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Encontro de Luz.


Ele a havia visto em uma tarde de primavera com toques de outono, tudo florido, porém um pouco de frio fazia e o ar tinha cheiro outonal, estava escurecendo, uma cor entre laranja e violeta se estampava no céu, os pássaros já procuravam seus lugarzinhos em todos os cantos das árvores, o canto era uma sinfonia da busca ao sono dos passarinhos, as águas do lago em que ele se sentava estavam calmas e sonolentas, os primeiros grilos começaram a cantar, e ele sentia as batidas leves do seu coração, poderia até escutar o mínimo balançar de uma grama se colocasse os ouvidos no quase silêncio, tudo era terno, brando, leveza, uma suavidade de se estar perto do coração das árvores.
Bem assim ele a viu, ela caminhava com um longo vestido azul de céu sereno, um azul beirando a pálido, mas não deixando de ser um azul forte, os cabelos meio castanhos caiam pelas costas, entre as mãos que já começavam naquele momento a receberem a luz fraquinha das primeiras estrelas, ela carregava flores e uma daquelas lamparinas que se colocam uma vela dentro.
Ela se sentou do outro lado do lago, em um lugar suficientemente perto e distante, perto para se olhar, ver gestos, ver as cores, longe para tocar ou quem sabe até ouvir a voz, ele se sentiu encabulado, olhou para ela tentando buscar a luz dos olhos, mas ao mesmo tempo em que estava perto, também estava distante, ela também procurou os olhos dele mas o distante continuava, ele mexeu os lábios perguntando o nome dela, ela só viu um leve movimento, acenou para ele que viu e sentiu como se um pedaço do céu o abraçasse.
Ela sorriu, ele sorriu, pensaram em ficar perto, só perto, ela acendeu a vela em sua lamparina e caminhou até ele, ao vê-la sair andando de onde estava e se perdendo entre as árvores, se entristeceu, seu coração apagava lentamente, um encontro e uma despedida tão rapidamente, não esperou e foi embora.
No dia seguinte ele foi até o lago e tudo que restava onde a moça estava era as flores que segurava e a lamparina apagada, rápido foi até sua casa e pegou uma pequena vela e colocou dentro da lamparina, quando chegou ao lago novamente, a noite já se pregava ali com uma neblina suave, sendo conduzido pela luz daquela que queria encontrar, andou por todos os lados do lago e pela floresta, e quando as esperanças tão diminuíam e a luz da vela se apagava, um som mágico veio aos seus ouvidos e para sempre desde então morou em seu coração.
- Meu nome é Luíza.
Ele olhou pra trás e ali estava ela, a moça da lamparina, a moça de seu encontro, e encontrar é se encher de estrelas, de luz.
- Sabia que seu nome era algo bem parecido com luz, o meu é Augusto.
E desses dias que se seguem para estes dois, o que dizer? Tanto encontro.

5 comentários:

Pedro Luis López Pérez disse...

Preciosa Historia con ese encuentro lleno de una tenue luz.
Un abrazo.

© Piedade Araújo Sol disse...

uma estória deliciosa....


beijo

Patricia Thomaz disse...

Que lindo. Me fez sonhar. Me senti dentro da história.
beijinhos

*Escritora de Artes* disse...

Olá Gaby,

Mais um belo texto, lindo querida amiga!

Bjos

O Profeta disse...

Já não posso dar-te a mão, cheguei tarde
Entre ruinas procuro o sentido, a razão
Já não canto aos deuses, não rezo
Já esqueci o sabor do desprezo, não desprezo

Tracei um círculo de solidão
Ausente do meu nome está o chamamento
Jazem mudas as folhas de silêncio
Errantes brumas ao sabor do vento

Percorri um longo e tortuoso caminho
Moro numa casa da memória no topo da saudade
Prodígios de mil cores espalhei pelo caminho
Pintei almas, mentiras, girassóis e singelas verdades




Boa semana


Doce beijo