quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Primaveras Verá.


Amanheceu, a noite foi tranquila e cheia de estrelas, e o suspiro da manhã veio cheio de brisa primaveril. Ela comeu o bolo de cenoura delicioso que estava guardado na travessa redonda de vidro decorada, e tomou uma caneca de leite quentinho, acariciou o gatinho que também tinha acabado de tomar o seu leite, era um gatinho cinza de olhos verdes, lindos, parecia que se via uma árvore dentro de cada olho daquele gatinho, pensar que ela o achou um dia dentro de uma caixinha, escondido.
- Como está nessa manhã Linim? – perguntou ela. Linim foi o nome que dera para o gatinho, e ele gostava tanto, ela também gostava, tinha inventado esse nome e o achava bem mágico para um gatinho.
O dia estava bonito, mas Linim preferiu ficar na sua almofada, então ela pegou suas tintas no quarto, uma tela de pintura, seus pincéis, e colocou um chapéu de bolinhas, presente de sua avó, o sol não estava tão quente, mas logo chegaria ao local que ela pintaria naquela manhã, passou e olhou novamente Linim na sua almofada.
- O dia está lindo Linim, se eu fosse você sairia para pintar comigo, pense bem.
E saiu com as tintas, com a tela, com o cavalete e com seus pincéis.
Colocou tudo de frente para uma árvore que estava começando a nascer para a primavera, suas poucas flores começavam a desabrochar, gostava tanto daquela árvore como gostava das árvores nos olhos de Linim, de todas as árvores que existiam.
E em pouco tempo, as tintas começaram a formar em seu pincel, em sua mão, uma linda árvore na tela, uma pintura da árvore que estava começando a primavera, e será que quando uma árvore começava para a primavera era como se estivesse nascendo outra vez? Será que ela ainda se lembrava da sua última primavera ou era tudo novo? Se fosse novo ela queria que a árvore se sentisse bem chegando ao mundo, e queria registrar sua lembrança de primavera. E mesmo se ela se lembrasse de tudo, deveria ficar contente de ter outra primavera.
E quando pintava tão magicamente, seu coração esquecia e se elevava, e ela por um momento não sabia também se pintava sua primeira primavera, ou se aquela era mais uma de tantas, ela estava em estado de profunda e delicada primavera.
Linim colocou a cabeça para fora da porta da sala, e lá viu sua amiga pintando a árvore, e a árvore de seus olhos também estavam e viam primavera, pela primeira vez. 

8 comentários:

Kamila Behling disse...

E que seja bem vinda!

SEMPRE é bom vir aqui, LINDA!

*Escritora de Artes* disse...

Olá Gaby,

Sinto uma magia incrível quando leio seus textos, e esse é lindo, aliás todos os seus textos são lindos e emocionantes.

Linim lembrou-me Macgyver,um gatinho que tive na adolescência, rs

Bjos querida amiga

ricardo alves / são paulo,brasil disse...

escritora das artes tem razão,este é um espaço que nos transporta para belos costumes,uma espécie de belle époque...

BIA disse...

Oi Gaby!!!

Que sua PRIMAVERA seja bela e feliz como este texto!!!
Bjs :)

ALUISIO CAVALCANTE JR disse...

Querida amiga

Há nas palavras
que nos fazem
viajar
pelos caminhos da alegria,
uma magia
de chegar rápido
ao coração.

Que haja sempre um sonho
a te habitar o entardecer do dia.

Aluísio Cavalcante Jr.

Alice disse...

Pode não ser a primeira, mas primaveras são sempre únicas.

Beijo, Gaby!

Luiz Alfredo disse...

Existem pintores que pintam
com palavras
e sabem contar estórias
que as frases se tornam
fotografia
que com uma certa velocidade
viram filmes
que vão sendo refletidos
na tela mental
e com jujuba colorida
vira um matinê matinal


mui belo

Pedro Luis López Pérez disse...

Vengo del blog de Mara Melinni (Mel´s Versos) y me ha encantado tu Rincón; por lo cual me gustaría hacerme Seguidor de tan bello Espacio, lleno de Magia, Sentimientos y Sensaciones.
Un abrazo.