quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Encontro no dia das Lembranças.


Flora tinha crescido, quando viu não tinha se dado conta ainda, o tempo passará muito depressa, não havia dado tempo para crescer. Chovia naquela tarde, pela manhã o céu havia despencado uma chuva forte, e agora uma chuva ralinha cheia de neblina caia e estampava a rua pela sua janela, cobria as árvores deixando silhuetas de neblina, e Flora achava aquilo muito lindo, tanta coisa encontrava ali só a ficar olhando, achava tudo tão bonito antes de ter os olhos assim mais crescidos.
Atravessou a sala e tudo estava silencioso, onde havia ido todo mundo? Nas suas lembranças talvez, na sua caixa de laços vermelhos das lembranças, e em algum lugar além de toda aquela neblina. Pegou em cima da mesinha o livro de contos de fadas que tinha pegado na biblioteca, ainda não havia lido aqueles contos, embora tivesse já lido muitos, não desistiu deles nem por um momento, por mais que suas mãos mais crescidas segurassem o livro.
Que dia, precisava ir até a biblioteca devolver o livro, comeu alguns bolinhos de chuva que estavam sobre sua mesinha e bebeu uma xícara de leite que havia esfriado um pouco enquanto ela observava a neblina, um dia de lembrança, um dia de caixinhas de músicas.
E lá foi Flora com seu guarda-chuva de rosas pela rua toda molhada, acompanhada da chuva e do seu cheiro, da neblina e do friozinho que lhe causava na pele, acompanhada do livro, das lembranças e do caminho até a biblioteca. Chegaria lá e encontraria Cláudia a bibliotecária, parecia que ela sempre tinha o livro ideal para seus pensamentos, encontraria as pessoas tomando uma xícara de chá enquanto liam alguns poemas. Olhou para o céu e a chuva parecia um véu que havia coberto todas as formas que as nuvens fazem, mas não tinha problema, são dias de formas e dias de véu. Olhou para a rua toda molhada, as pessoas com guarda-chuvas de todos os jeitos, sua cidadezinha uma vila antiga e esquecida no meio de um mundo tão grande, mas havia ali uma biblioteca, havia ali uma chuva tão bonita que os olhos até doíam, havia ali uma neblina que parecia ser mágica do céu.
Chegou à biblioteca, todos ali perdidos nas palavras, Cláudia lhe sorriu, ela olhou para as prateleiras iluminadas pelas luzes nubladas, como um dia de chuva lá fora deixava tudo tão chuva, pensou em como estava crescida, e a chuva parecia ainda ser tão a mesma de anos atrás, como uma visita amiga que sempre vem não importa quanto tempo passe, até o canto daqueles pássaros bem ao longe nas árvores pareciam os mesmos pássaros de anos atrás, como se eles sempre voltassem não importa que mundo iriam encontrar.
Sentou em uma mesa e abriu o livro de contos para ler alguns mais uma vez antes de entregar para Cláudia, nem percebeu que estava sendo acompanhada por um olhar que se levantou de um livro, um olhar tão cheio de lembranças como o dela, mas um olhar que naquele momento estava lotado de presente e futuro. Flora olhou também, e ele tinha chuva também nos olhos, uma neblina bonita que cobria tanto, mas ao mesmo tempo deixava toda a silhueta das árvores. E Flora se sentiu dentro de um conto de fadas que se chamava encontro no dia das lembranças.

4 comentários:

*Escritora de Artes* disse...

Oi Gaby,

Tenho vontade de viver dentro das suas histórias, rs

Adoro bolinho de chuva e adorei esse encontro...

BJos

ricardo alves disse...

lindo e diria pastoral!!!

Você em Pauta disse...

A chuva molha suas palavras e tambem nosso rosto....
No caderno, a chuva deixa amrcas, no rosto, lança lagrimas....

Adoro passar por aqui. Esepro um dia conseguir permanecer.......

BIA disse...

Uma delicadeza e um encanto suas palavras, transporta para lugares tão bonitos, uma viagem literária.
✿Bom fim de semana!!!✿
Bjs :)