Páginas

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Catarina.

Rodopiava entre as árvores uma cor do abraço do fim da tarde, uma chuva ralinha caia deixando pequenas gotículas a enfeitar as flores, por um momento o céu quase se abriu, mas as nuvens voltaram, a cor do abraço escureceu mais um tantinho e mais chuva ralinha continuou a cair pingando nos olhos dela, deixando seu cabelo cheio de gotículas tal como as pétalas das flores, Catarina pensou por um momento como gostava da semelhança, mesmo que não fosse uma flor. Recolhia as roupas no varal, recolhia o que poderia molhar novamente, mesmo que já estivesse molhado, começou a pensar também no quanto gostava de recolher, como no fundo era uma moça recolhedora. Recolhia as roupas, o céu, o que estava no chão recolhia e devolvia para seu lugar, recolhia o que podia, recolhia o que seu coração sentia que precisava recolher, tal como aquelas roupas no varal, pedindo para serem resgatadas. Quando a bacia já estava cheia, entrou para dentro, fechou todas as janelas deixando as parte de vidros, além de escutar o barulho da chuva batendo na janela, Catarina gostava de ver as gotinhas caindo e deslizando devagar, ou parando ali, meio interrompidas de chegar ao chão. Recolhia sempre isso.
Sentou perto da janela e se deixou recolher, no abraço do barulhar da chuva adormeceu em recolhimento de um pequeno sono, sorte não ter dormido tanto sono assim, acordou e a chuva ainda repousava sobre seu vidro, no dia quase acabando lá para que pudesse recolher mais um pouquinho.

5 comentários:

*Escritora de Artes* disse...

Oi Gaby,


"Rodopiava entre as árvores uma cor do abraço do fim da tarde, uma chuva ralinha caia deixando pequenas gotículas a enfeitar as flores, por um momento o céu quase se abriu, mas as nuvens voltaram, a cor do abraço escureceu mais um tantinho e mais chuva ralinha continuou a cair pingando nos olhos dela"

Simplesmente perfeito!

Bjos

Você em Pauta disse...

A vida e seus movimentos. Rodopiei por tantos lugares e tantas portas encontrei. Mas nao gosto de portas, elas sao definidas por demais. Nas portas todos querem entrar. Gosto do desafio das janelas. Por elas tantos entram sem chegar e tantos saem apenas com um olhar. Os ventos fortes que me levaram a rodopiar me colocaram na janela da vida e percebi que era hora de voltar. Voltei, entrei pela janela e cá estou.... Que bom lhe encontrar!

BIA disse...

Que bonito o seu texto!!!
Boa semana!!!
Bjs :)

Marina Sena. disse...

lindo texto, Gaby.
a chuva também me traz essa paz.

até.
bjo, bjo, bjo...

ricardo alves disse...

mais uma vez posso dizer: lindooo e doce como vc parece ser colega!
minhas saudações...