segunda-feira, 18 de junho de 2012

Uma Canção para a Noite.


Era uma janela com uma cortina branca coberta de florzinhas de várias cores, o vento a balançava fazendo o pano girar para fora, o cheiro de terra molhada de uma chuva distante entrava pela janela, as flores pregadas na cortina pareciam gostar do cheiro, como se o cheiro da chuva por um momento as tornassem de verdade, um friozinho leve e a noite no seu lugar mais escuro, ao mesmo tempo brilhante por conta das estrelas e da lua no seu estado crescente que parecia observar a terra inteira. Depois da janela havia um quarto pequeno, leve, meigo, apenas um quarto que recebia o vento fresco, havia nele uma cama com lençóis de ursinhos, com um cobertor quente e aconchegante, e nessa cama havia um ser em profundo dormir, alguns fios de cabelo voavam assim como a cortina, olhos que dormiam profundamente, lábios que pareciam sorrir com um sonho bom, do lado da cama um abajur que parecia a luz de uma vela, tal luz iluminava o quarto de tal maneira, que parecia estar dentro de algum sonho.
Enfim, era uma bela noite para se dormir, os olhos dela mal pareciam quererem se abrir, mas de súbito abriram-se e revelou um olhar tão verde como o mar naqueles dias que não está refletindo o azul do céu, aos poucos a menina que estava entre os lençóis se levantou, vestia um pijaminha cor de pêssego, seus cabelos castanhos inteiros, sua pele recebia o brilho do abajur de vela, e da noite. Qual seria seu nome? O que mais chamava atenção nela era seus pequenos pezinhos silenciosamente andando pelo chão. Chegando até a janela, a menina respirou bem fundo, olhou para o céu e se sentou, ficou por um bom tempo observando as estrelas, sorria sozinha e as olhava, havia outras janelas nas outras casas, mas só havia ela ali na sua, ela e a noite, aquele vento, aquele cheiro de chuva mesmo que não estivesse chovendo.
Os vaga-lumes que voavam chegaram perto da menina sem nenhuma explicação, nos jardins da frente de todas as casas os lobos uivavam e mostravam seus olhos entre os arbustos, três corujas pousaram perto dela, os morcegos pousavam nos telhados, gatinhos de olhos de vidro que passavam pela rua olhavam para ela e paravam, até os grilos paravam sua melodia da noite e chegavam perto, e assim ela começava a cantar, um canto tão melodioso, cantava para si, cantava para a noite, para os animais que ali estavam, cantava, simplesmente cantava, acariciava as penas das corujas, os vaga-lumes iluminavam seus cabelos e no meio da canção os animais a acompanhavam, fazendo até as estrelas parecerem sorrir e cantar também.
No fim da canção a menina sorria, as corujas alçavam voo, os vaga-lumes se juntavam às estrelas, os olhos dos lobos iam desaparecendo lentamente pela escuridão, os morcegos voavam dos telhados, os grilos voltavam para suas gramas e os gatos voltavam a andar, tudo ia se desfazendo, e a menina voltava para sua cama e lançava um olhar de agradecimento, novamente adormecia, novamente o vento voltava a balançar a cortina de flores coloridas.
Talvez toda noite tu vejas cortinas a se balançarem, animais a se destacarem e um canto belo no ar, nunca soube o nome da menina que inspirava luz na noite, e que tinha a janela sonhadora, apenas sei que ela cantava, que canta sempre uma canção para a noite. E talvez seu nome também seja feito de canção.

2 comentários:

Alice disse...

Da pra sentir o frescor que vem dessa janela, sobrando ventos bons no coração!

Beijo, minha flor de amor!

*Escritora de Artes* disse...

Emocionante...seus textos sao belíssimos!

Já disse que sou sua fã?
Pois é...

Bjos