sexta-feira, 25 de maio de 2012

Um Lar Quentinho.


Imagem: Thomas Kinkade


Andava pelo caminho de volta para casa, fazia um pouco de frio, mas não se importava, dias frios e silenciosos lhe faziam brotar serenidades. Destas serenidades que brotavam ali no seu coração, ela as usava para caminhar, e como não brotar o sereno dentro do coração de quem tem os olhos que vê o que ali se via, passarinhos a cantar, árvores coloridas, raios de sol, flores, silêncio, céu, um jeito quentinho de se olhar ela tinha, e agradecia por morar naquela casinha onde se fazia inteira coração. Caminhava e já sentia o cheiro que saia pela sua casa, uma comida bem quentinha sendo preparada por ele, seu anjo, seu amor. Ela carregava um livro em uma das mãos e um guarda-chuva na outra caso viesse a chover, chegando olhou tudo em volta, não tão longe de tudo, mas quietinha ali, o lugar que estava com ele, o lugar que tinha escolhido, o lugar perto, o abraço dele para todos os dias, as delicadezas que lhe rodeavam, o laguinho aonde os patinhos vinham navegar, a cadeira embaixo da árvore azul, quando se sentava nela e olhava-se o céu eram dois azuis estampados nos olhos, as flores de um pequeno jardim, a casa que podia tanto chamar de lar, e de lá dentro o abraço que era seu lar saiu:
- Estava te esperando, preparei bolo, tortinhas, e uma sopa bem quentinha que hoje a noite vai esfriar muito – disse ele abrindo a porta e olhando para ela.
- Que delícia! Tortinhas! – respondeu ela sorrindo – será que vai esfriar muito?
- Frio e estrelas – disse ele olhando o céu que ainda exibia o fim de tarde – ficarei bem quentinho do seu lado sim? Veja, já até coloquei aquela blusa quentinha que me deu de presente de aniversário.
- E acha que não vi? – falou ela rindo.
Ele veio e pegou o livro que ela carregava nas mãos e o guarda-chuva, passou uma mão nos ombros dela e entraram.
E assim tentavam semear uma vida para ser luz, para se ter um jardim, para se poder estar bem quentinho nos dias frios cheio de serenidades quentinhas.

9 comentários:

Denise Portes disse...

Gaby,
sua história, sempre cheia de poesia,aqueceu meu coração.
Um beijo
Denise

AC disse...

Gaby,
Um lar quentinho que é, sem dúvida, doce melodia.

Beijo :)

Thainá Rosa disse...

Me deu até vontade de morar nessa casinha. é bom quando a gente tem um lugar só nosso assim. :)

*Escritora de Artes* disse...

Que linda história querida amiga,

Sempre viajo nas suas palavras..

Bjos

Dois Rios disse...

Oi, Gaby!

O amor é assim. Tece melodias salpicadas de estrelas.

Beijo,
Inês

Pri C. Figueira disse...

Que saudade daqui...
Hummm, senti o aroma da casa, o aconchego. Que lindo!

Seus textos me fazem sorrir. :}

Um beijo :]

O Profeta disse...

Um sótão cheio de lembranças
Escrevi no pó palavras sem nexo
Retirei uma cartola de uma caixa de cartão
E senti ao toque o poder da ilusão

Ilusões…
Um cavalo de pau perdido ao carrocel
Uma estola de um bicho qualquer
Uma escultura talhada a cisel

Uma foto a preto e branco
De uma mulher sem rosto
Uma janela virada para nenhum lado
Uma traquitana a imitar o sol-posto

Bom fim de semana

Mágico beijo

Eduardo Trindade disse...

Às vezes tudo o que precisamos é de um cantinho onde nos sintamos acolhidos.
Um abraço doce, guria.

Iasminne Fortes disse...

As pessoas boas merecem um cantinho igual esse que vc descreveu... frio, estrelas, livro, tortinhas e um amor.

Beijo