terça-feira, 10 de abril de 2012

Um presente para toda luz.


O dia era o que eu tinha, o dia e todas suas miudezas banhadas do sol fraco de anúncio de frio, o dia e todas as suas pequenas coisas que cantavam com força dentro de mim, como se quisessem me levar para outro lugar. Coloquei o chapéu que ganhará dele, dizia na carta “para você colocá-lo quando o dia pingar muitos raios de sol”. O chapéu tinha vários buraquinhos, por onde pingava vários pedacinhos de sol conforme eu andava, daquele sol outonal cheio de cantar de folhas.
O presente dele me fez companhia pela tarde toda, e eu sabia que toda vez que visse ou lembrasse o sol nunca estaria sozinha da imagem dele. Quando viria afinal para ter sol inteiro ou pedacinhos dele junto comigo?
O dia se desfazia em estrelas e lua, e agora pingava em mim pedacinhos da luz da lua. Saberia ele que ao me dar um presente de sol também estava me dando um presente de lua?
Fiquei a caminhar por entre as luzes, e uma mão tocou de leve a minha, virei e era ele, o dono do presente das luzes, que de repente me fez ver que de agora em diante eu andaria com luz, sendo de dia, sendo de noite, mesmo embaixo de um chapéu.
- Gostou do presente? – perguntou ele com a voz que tanto escutei pelas cartas.
- Gostei imensamente – respondi com o coração mais imenso do que as palavras.

4 comentários:

Angélica Lins disse...

Quanta doçura!
Fiquei emocionada.
Abraços...

Escritora de Artes disse...

Um texto angelical...

Bjos

Luiza Maciel Nogueira disse...

lindo demais e muito prazer! beijos

Dayne Dantas disse...

'O dia era o que eu tinha, o dia e todas suas miudezas banhadas do sol fraco de anúncio de frio, o dia e todas as suas pequenas coisas que cantavam com força dentro de mim, como se quisessem me levar para outro lugar.'

Muito bom!