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terça-feira, 3 de abril de 2012

Sorrisos e Palavras,


Todos os dias saia com sua cestinha de livros e sua cestinha de xícaras e chá, o chá que fazia era de hortelã, gostava do gosto meio ardido e refrescante na boca, fazia ele ficar bem doce como as doçuras que vendiam na confeitaria sorriso, sempre gostou do nome da confeitaria, sorriso combina bem com doces, quem não fica um pouco mais calmo e feliz com um doce? Se não fica é que o amargo tá tão forte que precisa sair primeiro, para poder saborear outros gostos mais suaves. As pessoas não gostavam muito de chá, então para satisfazer os gostos levava um pouquinho de leite com chocolate em outro bule, quem não quisesse o chá de hortelã certamente ia querer o chocolate. Sentava-se no banquinho sem pressa do parque, e ficava por ali arrumando suas xícaras, e suas palavras. Para toda pessoa que parava ela oferecia uma xícara de chá ou leite e algumas palavras, abria um livro e lia para a pessoa, gostava de ver o sorriso que elas davam quando ela terminava de ler, algumas gostavam tanto que ouviam uma história inteira. O dia de outono caia sobre um pôr-do-sol de filme de cinema, e ali ela continuava a distribuir algumas palavras, até que o chá e o leite terminavam. Juntava suas coisinhas e ia para casa fazer outras coisas. Não sabia muito bem de onde viera esse gosto de distribuir palavras que as pessoas nem queriam, mas sabia que com um pouquinho de chá e leite com chocolate tudo poderia se resolver. Não sabia o que fazia seu pequeno coração gostar tanto de distribuir pequenas palavras, dava sua contribuição serena para o nunca apagamento das histórias. Caminhava com sua cestinha ao som de todos os sorrisos que tinha recebido, que fez surgirem ao ler algumas palavrinhas mágicas. O que as pessoas faziam com as palavras depois de ouvi-las? O que faziam com as histórias depois de vivê-las em palavras por um tempo? Depois do sorriso o que vinha? No caminho olhou a confeitaria sorriso, e de lá saiam dois meninos correndo, às gargalhadas, com uma felicidade estampada no rosto. É, depois do sorriso das palavras, deveria vir aquilo. Sorriso de fora para dentro. Encontrou o caminho das palavras, e com uma cestinha caminhava com elas. Distribuir palavras que faziam sorrisos, era o que a deixava mais feliz. E se perguntassem porque não distribuía coisa mais importante, ela perguntaria: não é importante palavras de sorrisos?

5 comentários:

Escritora de Artes disse...

Oi Gaby,

Que belo seu texto, voltei a adolescência, puxa como eu gostava de tomar chá, rs

Saudações cara amiga

débora, disse...

Compartilho esse apreço por sorrisos, chás e palavras... acho que é uma das melhores combinações que existem. pra mim é sempre meio nostálgico falar de chá e palavras, talvez mais do que de sorrisos, por eles foram minhas companhias noturnas durante muito tempo.. as palavras lidas e as escritas nas noites de insônia, sempre acompanhadas de alguns mL de chá :)

Denise Portes disse...

Gaby,
Essas saudades e aprendizado com a vida é que te torna uma poetiza.
Um beijo
Denise

Denise Portes disse...

Gaby,
Essas saudades e aprendizado com a vida é que te torna uma poetiza.
Um beijo
Denise

AC disse...

gaby,
Há tanto neste "...dava sua contribuição serena para o nunca apagamento das histórias."!
Se cada um fizesse a sua parte, o mundo seria bem melhor, não é?
Parabéns!

Beijo :)