terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Um só suspiro.


Ela estava por um só suspiro, e poucas pessoas entendiam o que para ela seja estar por um só suspiro, poucas pessoas sabem o que seja um suspiro talvez, e o dela era diferente do que dizia o dicionário.
Estava frágil, a saúde era frágil, como uma pétala debaixo de um sol muito quente que começa a murchar. Eram tardes de verão, quente, céu azul, chuvas, tudo ao mesmo tempo, sendo perigo para toda a fragilidade.
Debaixo daquela árvore olhava o céu, e buscava quem sabe a chegada de um anjo. Nas mãos aquelas cartas que algumas pessoas haviam lhe deixado, cartas que diferente de seus donos não eram passageiras, não eram despedidas, as palavras ainda estavam ali, todas as cartas foram deixadas, talvez o seu destino fosse esse, ficar com as cartas enquanto os outros vão, ela fica com as palavras embrulhadas de lembranças, fica com as palavras do passado.
Estava sozinha, normalmente a fragilidade é deixada sozinha.
As lágrimas desciam pela face, e o vestido de poucas flores balançou bem pequeno com a pequena brisa, tentou esboçar um sorriso quando uma nuvem se transformou em um anjo, mas não conseguiu, foi tudo tão breve, quando viu as cartas já não estavam mais em suas mãos, estavam perto das margaridas, acolhidas e guardadas pelas flores. E ela apenas com um suspiro adormeceu. O anjo de nuvem pegou suas mãos, pegou sua fragilidade solitária e a levou para o céu.
No dia seguinte, as palavras das cartas tomaram forma, e lá estavam eles, olharam para ela sem suspiros, e só conseguiram falar:
- Achamos que você nunca ia se despedir!
Não olharam para o céu, nunca viram uma nuvem em forma de um anjo segurando a mão de uma moça.
O sorriso que ela não deu hoje se esboça na nuvem de que é feita. Jamais imaginou que pudesse ficar sorrindo, tendo uma vida de tantas lágrimas.

7 comentários:

AC disse...

Quanta ternura, Gaby, o seu texto encerra! Tocou-me!

Beijo :)

Alê disse...

Que lindo,

Mas triste,


Despedir sempre o é,

Patricia Thomaz disse...

Muito triste. Essa palavra sempre nos assusta né. " ADEUS ". Ela traz muita dor e lágrimas. Mas ao fim é doce. Pois agora abriga em sorrisos.

Lindo, amei.
Beijinhos

@ Escritora disse...

Quanta ternura mesmo, escreve como poucos....

Bjos

Alice disse...

Quando há muita turbulência dentro de nós, com um suspiro, parece que as coisas ficam mais ajeitadas, é tão bom...

Lívia Inácio disse...

leve, profundo e tocante...

como cada linha desse blog.

Nelma. disse...

Bom dia!!Lindo o seu blog,já estou te seguindo beijos.