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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Para Alguém,


Cai uma chuva docemente de céu, adoça minha mente, doce mente se propaga dentro de mim. Não era minha intenção escrever palavras molhadas, mas a chuva veio ao pegar a caneta, é mágico escutar os pingos batendo no telhado, o cheiro que vem com o vento, as gramas escorridas de gotas, sinto a folha umedecer e amarelar, como se a chuva trouxesse também um tempo outro.

Não há muito que fazer quando chove por aqui, essa casinha no meio de nada e tão no meio de tudo, junto com as bordas de chuva ficar difícil sair lá fora e não escorregar antes de chegar. Minhas companhias, porém, ficam lá fora, os pássaros, já vi passarinhos gostarem de cantar na chuva, mas como esses não há, os coloquei como “Os Cantores da Chuva”, acredito que seja um bom nome para um grupo musical, mesmo não sendo tão criativo.
Aqui também existem muitas borboletas, libélulas e vaga-lumes, mas eu acho que insetos não gostam de chuva, eles desaparecem, e me fazem faltas as borboletas nas flores, as libélulas aparecem só quando a chuva vai embora, elas voam sobre as poças que ficaram, é interessante os restos de chuva que ficam pelo chão, é de uma humildade grande saber cair do céu, ficar na terra e depois desaparecer entre as coisas vivas.
E os vaga-lumes? Se a noite é chuvosa eles não aparecem, chegou um tempo que começaram a falar que os vaga-lumes estavam extintos, imagine, jamais! É que eles são discretos, muitas coisas são discretas e as pessoas dizem que não existiram nunca ou não existem mais, as pessoas parecem gostar daquilo que se exibe mais, é uma pena, os esconderijos pequenos escondem tantas coisas importantes, penso eu talvez que deve ficar assim mesmo, afinal tantos vaga-lumes foram presos em potinhos transparentes, eu sempre achei um desaforo prender luz, por menor que seja, ainda mais luz voadora, deve ser por isso que a discrição hoje é característica dos vaga-lumes.
Um dia minha avó me contou que vaga-lumes são estrelas que aprenderam a voar e se desprenderam do céu.
Entre essa chuva escrevo sem direção e sem destinatário, fico aqui entre livros, folhas, sorriso de dentro, lágrima também. A chuva logo amanhece, sempre digo que depois da chuva o sol amanhece pela segunda vez em um mesmo dia, daqui a pouco as borboletas voltam, as libélulas chegam, e os vaga-lumes talvez apareçam para quem sabe vê-los, normalmente as coisas não aparecem perto da gente, e nem chegam até nós para serem guardadas em potinhos, mas para serem guardadas com toda a liberdade do coração.
Com Carinho.

6 comentários:

Valéria Sorohan disse...

Você me honrou com sua visita.
Ficou uma tela linda esse texto! Ou essa tela ficou um lindo texto? Aplausos aqui. E beijooO*.

d. disse...

Doce como sementes de girassol brotando no chão molhado pós-chuva. Que linda você, Gaby

Valéria disse...

Oi Gaby!
Gosto muito de suas visitas!
Menina, você escreve com o coração, doces palavras descrevem cenas que os que olham simplesmente nã captam. Lindo seu texto!
Beijinhos e tudo de bom!

@ Escritora disse...

Olá Gaby,

Viajei nos seus escritos, escreve intensamente, gosto quando prendem minha atenção.
Por aqui fico!

Agradeço a visita e o comentário, com certeza voltarei...

Saudações

Dois Rios disse...

Oi, Gaby!

Gotas de sonhos e encantos derramam-se ao som de Uma Doce Melodia.

Beijo,
Inês

AC disse...

É bom deixar discorrer o que nos vai na alma...

Beijo :)