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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Folhas de Coração.


Continuava buscando os vestígios dentro do coração que poderia preencher os vazios. Tem vezes que o olhar só para dentro não adianta muito, e não é capaz de preencher vazios, é preciso lançar aquele olhar para fora, descobrir uma presença, redescobrir uma companhia despercebida nos vazios, mas que sempre os preenche no raiar dos dias, na hora certa. É preciso ter essa humildade serena dos corações fora do nosso.
Caia folhas em formato de coração pelo chão aquele dia, e lá estava com a vassoura em mãos. Não era outono, mas as folhas de certa forma caem a todo tempo, com maior ou menor intensidade, basta apenas um vento mais forte, um sopro maior. Ela continuava preferindo o outono, nele deixava todas as folhas pelo chão como tinha que ser, um dia fora uma varredora de todas as folhas, mal podia cair uma rodopiando e chegar ao chão, estava lá ela varrendo. Até no outono varria, até o dia que aprendeu que o outono era sempre outono, e que por mais que varresse, outras iriam voltar.
Via aquelas folhas daquela manhã em formato de coração, e não conseguiu varrê-las, jamais poderia, afinal que coragem tinha para varrer corações? Como poderia varrer corações?
Um vento mais forte fez o chão levantar, as folhas voaram até ela, a vassoura das mãos caiu, tudo ficou tão sereno, o vento levantou as folhas do chão, e elas rodopiando, rodando em volta dela ficaram, um misto de corações a preenchendo, com o céu muito azul, ela se entregou a dança das folhas, rodando junto com elas, se enfeitando de corações, aproveitando enquanto o vento deixava aquele breve momento acontecer.

Um comentário:

Maggie May disse...

eu acho lindo o chão coberto de folhas secas…muito lúdico!