segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Querido Marcos,

Doçura indizível, é assim que começo esta carta. Você despertou em mim com seu algodão-doce ai do outro lado, algo que não se pode dizer.
Estou aqui na biblioteca “Luz do Dia”, ela fica em uma avenida muito bonita cheia de árvores de folhas amarelas, eu achei o nome tão bonito Marcos, e um tanto misterioso, quando falamos de dia, normalmente já está embutida a ideia de luz não é? Mas eu descobri que não é bem assim, tem aqueles dias em que temos a sensação que não se habita luz nenhuma, e é nesses dias que venho aqui para a luz do dia.
Outra coisa bastante curiosa aqui, é que tem mais livros de poesias do que em outras bibliotecas, então eu pego um livro de poemas e fico a ler, a pensar, olhando o contraste dos livros coloridos e daqueles que já perdem a cor nas estantes.
Por fora essa biblioteca é um tanto provinciana, me remete às épocas que não vivi, me remete às épocas que ainda chegarei.
Tenho me acostumado a ficar aqui com meu coração, sinto tantas saudades, um gosto amargo até me vem na boca só de pensar. Engraçado o poema da página que parei, ele diz assim: Com tanta luz de saudade, caminho fazendo doce esse sentimento. Podem-se fazer saudades doces?
Antes de começar a escrever para ti, fui perguntar para a bibliotecária daqui, ela me respondeu assim: quando você coloca a dose de açúcar certa. Ela deve ter razão.
Começo a suspeitar que o que sinto é mais do que saudade do que existe, do que não existe e tudo mais, deve ser mais, alguma outra coisa que anda por ai ainda sem nome.
Tem poemas que não lemos, mas ouvimos. Estes dias andava pela rua quando passou um vendedor de algodão-doce, novamente Marcos a doçura indizível me ligando ao que preciso. Ele fez um verso assim enquanto andava: Para quem tem saudade e sofre uma dor no coração, e não encontrou ainda a canção, algodão-doce é a solução. Achei tão engraçado, sorri e comprei um algodão azul cor de céu. Tem pessoas tão simples que nos fazem sorrir no mais intenso frescor da simplicidade.
Essa minha carta termina aqui com esse sabor de versos, e eu te mando muita luz de dia, e mais e mais algodão-doce.

Aguardo com todo carinho sua resposta.

Nicole.

4 comentários:

JasonJr. disse...

:D :D :D

Você em Pauta disse...

E a suadade é um lugar, que só chega quem amou....

Essa é uma verdade, somente tem saudades aquele que um dia amou..... Sua palavras nesse poema sao assim, pegadas de uma coração que trilha o caminho do amor e da saudade. Da mesma forma que xistem poemas que nao lemos, mas que trazem significados em nós, agora tu tbem nos ensinaste que existe algodao doces que nao comemos, mas sentimos os sabor em nossa alma....

Que possas continuar visitando as bibliotecas, lendo os poemas e vivendo as saudades..... E Marcos? Que Marcos possa entender que qu o sol ate brilha, mas para isso, ele necessitará sorrir!!

Bjs!

Jeff disse...

Eu adoro cartas!
Não sei, dá impressão que é um segredo que a gente divide!

Só sinto falta do papel!

Um abraço! Texto lindo!

Denise Portes disse...

Gaby,
Essa sua sensibilidade transborda pela tela e esbarra aqui, no meu coração. Adorei.
Beijos
Denise