sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Vestígios de uma história.


Havia muitas e tantas pequenas histórias naquele horizonte, e quando falo pequenas não é em relação ao tamanho, mas da singeleza das linhas que as desenham. E quando falo em horizonte, falo daqueles pertos e distantes, pois havia ali naquele parque delineado por um lago, um horizonte dentro do coração de cada um, e outro horizonte que se via lá adiante, feito de um fim de tarde coberto de pôr-do-sol.

Naquelas tardes em que as nuvens navegam pelo céu, ameaçando até pequenos chuviscos, onde as cores do céu têm cheiro de história nova, caminha a história do senhor que anda, da menina com suas trancinhas a correr junto com o irmão mais novo, do vendedor de algodão-doce e de balões coloridos, a história da moça que anda de bicicleta… tantas e infinitas.
Naquela tarde de vento calmo, onde fazia a grama e as pétalas de flores balançarem silenciosamente, ela lia um livro de contos perto do lago, cobriu com um lençol a grama, ajeitou-se no chão e ficou deitada para as nuvens, fazia sua tão só, mas acompanhada leitura.
Sozinha porque ela achava que estava, acompanhada porque ele ali do outro lado, sentado debaixo de uma árvore a alguns metros de distância, estava com o violão, tocando uma música para ela, embora seu coração ainda não soubesse que a canção era dela.
Por um minuto os olhos da moça ouviram, às vezes os sentidos se espalham, e eu posso dizer sim que os olhos viram e ouviram a música do moço. Ela passou a ler os contos ao som da melodia, e a música já fazia parte dos contos, e a leitura dela já fazia parte da música dele.
No horizonte mais distante o sol ia se despedindo, formando uma cor com cheiro de história nova, talvez fosse o horizonte que criou naquele momento a história dos dois, através das letras e das notas. Talvez fosse o horizonte dentro do coração dos dois que criou. Afinal horizontes também se assemelham, e no horizonte de cada um havia o sonho de um amor.
E uma história nova começa a ser desenhada, em silêncio nos olhares, na música, na leitura, nos corações. Os olhos dos dois se encontram, e ambos lançam um sorriso um para o outro, um sorriso assim tímido, escondidinho, mas um sorriso de abraço. E ficam eles ali, até o sol se despedir, esperando estrelas surgirem junto com a lua, para poder continuar um sorrindo para o outro, vendo os vestígios de estrelas que cobrem os olhos de quem descobre amor.

6 comentários:

Fabi Anselmo disse...

Gaby, doce como sempre!
Ai, que vontade de ser a protagonista desta história!

Alice disse...

Afinal horizontes também se assemelham, e no horizonte de cada um havia o sonho de um amor."

Nas tuas linhas pode-se até flutuar...

Jeff disse...

Gostei!
Achei muito pertinente essa parte "Afinal horizontes também se assemelham, e no horizonte de cada um havia o sonho de um amor."
Poetizada e verídica!
Mas também quem disse que a poesia, as histórias e os romances são irreais? No máximo enfeitados...rsrsrs

Gostei muito!
Um abraço!

ALUISIO CAVALCANTE JR disse...

Querida amiga

Para quem aprende
a ler as infinitas
histórias presentes
no olhar,
entende o quanto
é, e será bela a vida.


Que os sonhos te habitem
o coração, sempre...

Dois Rios disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Dois Rios disse...

Lindo Gaby! Um horizonte de beleza e suavidade. O amor é isso, um pre(s)sentimento.

Beijo,
I.