terça-feira, 2 de novembro de 2010


Não é fácil eu sei, até que tentei bordar um coração perto do seu, te fiz aquela música feita de águas batendo na janela, de vento tocando folhas de árvores, sabe aquela música de dias suaves? Cantei com as notas do meu coração. Tempestades são estranhas eu sei, é difícil ver as coisas sendo arrastadas, quebradas, o céu cheio de raios, o dia escurecendo, o estrondo que o trovão faz não é fácil não de escutar. Mas penso eu que também não é nada fácil escutar céu azul, quando o coração estronda, às vezes o barulho de dentro é tão forte que mal se pode ouvir o lá fora. Eu tentei te fazer aquela bicicleta de uma roda, lembro-me quando falou com a voz fechada “É impossível se equilibrar nela, é impossível ter equílibrio”, eu bem sei que é. Aquelas cartas ainda estão guardadas na minha caixinha de recordações, já escutei tantas vozes dizendo que não é fácil guardar lembranças que doem, as felizes também o são, afinal quantas vezes queremos voltar por mais que o presente seja encantador, quantos versos existem sobre querer voltar? Não é fácil guardar, mas guardamos. A árvore de outono que você me desenhou. A caneca, o telefone dos anos 70, as músicas que nem são de nossa época, estão guardadas aqui, dentro desse pequeno e frágil coração, que quis bordar ele pertinho do seu. Machuca sempre eu sei, mas machucaria mais se não guardasse, eu sei que rancor, vontade de pegar umas asas de papel e sair voando para distante de olhares não falta, minha asas de papel estão só a espera. Fico por aqui escrevendo nesse caderno que fiz de recortes, apesar da lágrima presinha aqui na minha pálpebra, eu vou terminar essa história com um sorriso, com todo esse poder que nos foi dado de transformar pedra, em graminha fresca e macia, onde deitarei olhando o céu, e você ai deitado do outro lado vai ver um coração lá bordado, e vai sentir que é em você, bordadinho ai do seu lado esquerdo. Eu estou sorrindo agora e você também sorri pra mim.

11 comentários:

Rute Vieira disse...

às vezes sentir saudade é tão bom!

muito doce, Gaby!

beijo no ombro.

Denise Portes disse...

A saudade chega com tanto sentimentos que transborda em poesia.
Beijo
Denise

Thais Michele disse...

que lindo *-*

sentir saudades é muito bom, o que não podemos é nos prender ao passado!
não é fácil...

adorei!
beijos

Lívia Inácio disse...

Mas que gracinha isso daqui! *_*

Ná* disse...

Oi, flor.
Obrigada, viu?
Amei seu blog! Acompanharei sempre.
Seus textos são maravilhosos!
Identifiquei-me com esse.
Bonito é sentir saudade e sorrir... por mais difícil que seja.
Beijão ^^

O trovador no teatro da vida real disse...

oi meu anjo,,
retribuindo a visita..
também é muito bom passar por aqui..
seus textos são de extrema sensibilidade..

Eduardo Trindade disse...

O que escreves são cartas de amor. Lindas, sempre. Como todas as cartas de amor.
Abraços!

AC disse...

Que maravilha de prosa, Gaby, tecida com os mais finos e delicados aromas...!
Adorei!

Beijo :)

Pri C. Figueira disse...

Saudade não se explica, só se sente!
Lindo Gaby, como sempre todos os teus textos são!
Lê-lo me fez recordar tantas coisas!
Amo passar por aqui!

Um Grande Beijo.

Cleice Souza disse...

Quanta delicadeza em você, moça!
Lindo, lindo.


beijinhos
;)

Mahfiosa disse...

Voce sabe né, virei sua fã!
A vida da voltas, e o mundo nos coloca aonde deveriamos estar. agradeço a Lu que me apresentou voce. Muito doce e inteligente.
Parabens pelo texto, e por todos os outros. =*