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quarta-feira, 14 de julho de 2010

Sendo uma Borboleta.


Observava uma borboleta voando de flor em flor, as asas azuis misturavam-se com o vermelho das pétalas, com o verde das folhas e com o marrom daquela terra molhada, o cheiro da chuva ainda impregnava no ar chegando até as nuvens do céu, a menina continuava na sua silenciosa observação, seus olhos não desviavam do azul daquelas asas, até que elas se perderam de vista entre as flores. Caminhou então até sua casa de portão amarelo, ah que sorte daquela menina que vivia entre cores, o portãozinho pequeno, as samambaias da mãe, os vasinhos de plantas na pequena varanda, a menina respirou fundo e o cheirinho do tempero de feijão lhe chegou ao olfato. Ao entrar na cozinha viu a mãe ocupada, sentou-se na mesa e ficou a olhar vagamente para o nada.
- O que foi Sofia? – perguntou a mãe percebendo o olhar da menina.
- É que eu estava pensando mãe em ser uma borboleta – respondeu Sofia.
- E porque você está pensando em ser uma borboleta?
- Elas são bonitas, coloridas, sabem voar de flor em flor…
A mãe arrastou uma cadeira e sentou-se à mesa em frente à filha.
- Mas também é ótimo ser uma menina Sofia.
- Eu sei mãe, só que seria tão bom ser uma borboleta de vez em quando.
- Seria – disse a mãe se levantando e pegando um papel verde dentro de um caderno de receitas.
- O que vai fazer com esse papel?
- Vou te ensinar como ser uma borboleta.
Ensinou Sofia a fazer uma dobradura de borboleta, a menina dobrou muitos papéis, borboletas azuis, vermelhas, laranjas, amarelas, brancas, o pequeno quarto dela ficou ainda mais recheado de cores com todas aquelas borboletas de papel, não entendia muito bem como que aquilo lhe fazia uma borboleta, ainda não tinha lhe nascido asas, ainda não podia voar de flor em flor, Sofia até colocou suas borboletas de mentira em flores de mentira e esperou ansiosa o dia que elas se tornariam reais, assim como ela.
Em uma tarde chuvosa Sofia viu uma borboleta branca de verdade pela janela, suas pequenas lágrimas juntaram-se com as gotas que ali batiam, voou para longe aquelas asas brancas, estava começando a voar junto com elas seu sonho também, suas borboletas de papel não sobreviveriam na chuva, desmanchar-se-iam assim como ela se desmanchará aos poucos quando sentia que no fundo só podia admirar as borboletas e não ser uma. A mãe em silêncio entrou no quarto de Sofia e colocou com delicadeza a borboleta verde que tinha feito naquele dia, junto uma flor de mentira e com um pequeno bilhete do lado, saiu de mansinho enquanto Sofia continuava submersa olhando para a janela de chuva.
Ao se dar conta da nova borboleta no quarto, a menina foi até lá e pegou o bilhete reconhecendo a caligrafia de sua mãe, no bilhete estavam às seguintes palavras:
“Sofia, tantas borboletas de mentira te rodeiam, coloridas em dobradura, quantas borboletas de verdade sempre se fazem presente perto de você, acho que você é assim como essas dobraduras, acredito Sofia que pode não ser possível ser uma borboleta por fora, mas é possível ser por dentro”.
Sofia sorriu e viu como tudo fazia sentido agora, menina por fora, borboleta por dentro, a menina sorriu e gostava da idéia.

12 comentários:

Mari Magno disse...

que história mais bonitinha.
borboletas e meninas combinam tanto...

acho que elas todas querem ser lindas flores no fim das contas.

Alice disse...

um dia ela também descobrirá que pode voar, mesmo sem ter asas. =)

linda Gaby, *-*

Você em Pauta disse...

As palavras tem um "q" de borboletas, é como se as palavras fossem as asas que as borboletas nos emprestam para que possamos voar.....

Neste momento nao preciso de asas, nao quero ser borboleta, desejo apenas ser a menina que sensibilidade de ser tocada por essa historia e a aprtir delas poder voar....

Que seja sempre assim mina menina borboleta sem asas.....

Que suas palavras sempre possam voar sobre nossos corações e lá plantar o sentimento mais nobre que de Deus recebemos........ SER HUMANO!!!

Grafite disse...

lindinha história

Michelle disse...

Olá Gaby!
Você escreve muito bem! A história é linda... porque insistimos em querer ser de outras maneiras, quando às vezes nem sabemos como somos ao certo né?
Borboletas ou não que hajam sempre pessoas para nos ajudar a ver essas belezas que às vezes não conseguimos!
Beijo grande!

Talles Azigon disse...

Por que a capacidade verdadeira não esta no corpo, esta na alma ^^

muito lindo mesmo

MAILSON FURTADO disse...

Excelente texto!!!

Parabéns, belo blog...

PARABÉNS!!!

Acesse:
http://mailsonfurtado.blogspot.com

Azrael disse...

me emocionei.

Como é magico o mundo infantil

Fabrício Santiago disse...

Olá, desculpe invadir seu espaço assim sem avisar. Meu nome é Fabrício e cheguei até vc através do Blog Alinhavo de Cores. Bom, tanta ousadia minha é para convidar vc pra seguir meu blog Narroterapia. Sabe como é, né? Quem escreve precisa de outro alguém do outro lado. Além disso, sinceramente gostei do seu comentário e do comentário de outras pessoas. Estou me aprimorando, e com os comentários sinceros posso me nortear melhor. Divulgar não é tb nenhuma heresia, haja vista que no meio literário isso faz diferença na distribuição de um livro. Muitos autores divulgam seu trabalho até na televisão. Escrever é possível, divulgar é preciso! (rs) Dei uma linda no seu texto, vou continuar passando por aqui...rs



Narroterapia:

Uma terapia pra quem gosta de escrever. Assim é a narroterapia. São narrativas de fatos e sentimentos. Palavras sem nome, tímidas, nunca saíram de dentro, sempre morreram na garganta. Palavras com almas de puta que pelo menos enrubescem como as prostitutas de Doistoéviski, certamente um alívio para o pensamento, o mais arisco dos animais.


Espero que vc aceite meu convite e siga meu blog, será um prazer ver seu rosto ali.


Abraços

http://narroterapia.blogspot.com/

Luciana disse...

Fofíssimo o relato.
Me veio na cabeça aquela canção da Luciana Melo...muito linda 'borboletas',vc conhece?

♫Borboletas são tão belas o que seria delas se ñ pudessem voar...o céu e as estrelas ñ poderiam vê-las passar..♫

um feliz dia do amigo pra ti viu...apesar de ja ter expirado rsrs,pois ja são 00:15.
Beijo

Pri C. Figueira disse...

Que lindo Gaby!

Queria eu ser borboleta, andar de flor em flor, abtraindo o perfume de cada uma delas!
Mas no fundo não deixamos de ser, vivemos num imenso jardim repleto de outras borboletas e cheio das mais belas flores!
Cabe a nós ter um olhar diferente!

Lindo, como sempre seus textos são!
Um grande beijo.

ALUISIO CAVALCANTE JR disse...

Querida amiga.

Assim por meio de uma linda metáfora,
aprende-se uma lição preciosa.
Quem sabe o tempo nos ensine
em qual tipo de borboletas
amarraremos os nossos sonhos.

Alegrias plenas para ti.