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domingo, 18 de abril de 2010

Dentro de um jardim

E o vento soprava do sul e alguns fios de cabelo insistiam em sair flutuando um pouco, era bonito dizer assim tão bem que o vento vinha do sul, tinha certo gosto por regiões e sempre se colocava a dizer mesmo sem saber que esse vento vem do sul, que aquela chuva provavelmente vinha do norte, não era um conhecimento, apenas uma mentira boa pra em dias como aquele se alguém se sentasse do seu lado no banco do jardim ela certamente iria dizer: “Esse vento vem do sul”, a pessoa olharia pra ela de modo sereno e começariam a conversar, afinal as grandes conversas às vezes começam quando um ou outro solta algo parecido, quando se fala da chuva, do vento, da cor do céu. Naquele dia o vento do sul não balançava somente seus fios de cabelos, balançava as pétalas das flores, as folhas, um pardal que pousara ali perto estava com as penas a balançar, a joaninha naquela pequena folha custava a se equilibrar, ela olhava pra joaninha vermelha de pintinhas pretas e se perguntava como seria a vida tão pequenina assim, se bem que ela deveria se sentir grande perto das formigas que passeavam pelo gramado, no fundo aquelas vidas tinham o tamanho exato, quem dera poder passear em cima de uma flor, e andar entre a grama sendo tão pequena assim devia ter gosto de andar numa floresta bem grande, uma poça d´água era quase um mar, um rio, um lago, que vantagem ter aquele tamanho e estar num jardim que parecia mundo, por um momento desejou ser tão pequena quanto e sair andando por entre aquelas tulipas, aqueles lírios, passear um pouquinho dentro do girassol, se perder naquele gramado, ficar morrendo de medo de um grilo gigante, no fundo todo tamanho tem seu perigo e sua glória. O vento foi se transformando em brisa, o raio de sol bateu na pele um tanto quente, uma menina passou com um cãozinho saltitante e feliz pelo jardim, algumas crianças corriam em tamanha velocidade, um casal se olhava apaixonadamente num banquinho em frente, a senhora lia seu livro, o homem caminhava com fones de ouvido, ela sentada no banquinho observando joaninha, formigas, florestas, vento do sul, chuva do norte, pensando mundo, viu que naquele exato momento, apenas naquele pequeno lugar vidas e vidas se faziam, tanto no cantinho pequeno de uma flor até a árvore mais alta cujo pássaro alcançava o céu. Diversos tamanhos que davam um só lugar.
Uma moça sentou do lado dela de repente, ela a olhou e disse logo:
- Esse vento vem do sul.
Um sorriso em troca, e uma conversa longa. Pequenos milagres num só canto, até se perderem de vista em todo mundo.

14 comentários:

Alice disse...

E ser vida de um jardim, onde a pequenez de uma formiga tem a grandeza invejável. E o vento tem a cor e o barulho de conversas infinitas.

Como as nossas um dia desses em algum jardim por aí não é Gaby?!

Um Beijo, doce e leve, como suas palavras.

Andrea de Godoy Neto disse...

Verdade, Gaby, todo tamanho tem seu perigo e sua glória. Importante é vivermos com o tamanho que temos. E que sejamos felizes!

beijos

Denise Portes disse...

Gaby
Gosto muito daqui, das coisas que você escreve.
Eu moro no Rio de Janeiro.
Beijos
Denise

Sabiana disse...

Lindoooooooooooooooooo!

Andrea Galvez disse...

Gaby...Posso começar dizendo que não sei como chegou ao meu Blog, mas estou feliz porque me trouxe até o seu.Fiquei encantada com tuas palavras, teus escritos, detalhes que gosto muito ao ler.Obrigada por tua visita, sobre o filme, ele é encantador, realmente precisará de lencinhos, emoção pura, mas vi que pra você não precisa muito né? sensibilidade pura...:)

Seja sempre muito bem vinda, de coração fico feliz por ter conhecido teu espaço.

Bjos pra ti*

Andrea

Eduardo Trindade disse...

Tantas coisas que o vento traz, não é mesmo? Coisas simples e bonitas... Como tuas palavras.
Abraços grandes!

Thais Michele disse...

Lindo amiga!
Ah o vento... queria tanto estar sentindo agora...
beijo

ALUISIO CAVALCANTE JR disse...

Querida amiga Gaby.

Hoje a minha visita é para agradecer.
Nestes dias que celebro a minha vida,
tenho certeza de que a mesma
não teria o brilho de hoje,
se não fossem os amigos e amigas
que a tornam valiosa
mesmo que distantes.

A ti gostaria de dizer obrigado:
Obrigado pelas visitas ao meu blog.
Obrigado pelas palavras semeadas.
Obrigado por sentir os meus textos
com os olhos do coração.

Sou eternamente grato a vida,
por mais estes presentes
que de modo gentil
deixas em minha vida,
fazendo de mim uma pessoa melhor,
e pleno de felicidade.

Lindos dias de vida para ti.

Débora Oliveira disse...

É que eu não consigo te ler e não sorrir. Viro o coringa desde a primeira letra até a última. Parece que costuraram minha boca em posição de alegria. É que todas essas pequenas coisas são a vida.

Jose Sousa disse...

Gostei do do seu blog, vou continuar a ser seu seguidor. Consulte os meus, divulgue e deixe o seu comentário. www.congulolundo.blogspot.com
www.queriaserselvagem.blogspot.com
Um gr. abraço.

Rachel Bratfisch disse...

Gaby...
Arranquei sorrisos as 13:51 da tarde.
Lindo seu blog.

Vou segui-la.
Ficarei feliz se passar no meu também...
Kisses

Dois Rios disse...

Ah, Gaby, como você escreve bonito! Quanto lirismo! Você tem um jardim dentro de você. Um jardim do tamanho exato dos sonhos que você retrata aqui.

Beijo,
Inês

C. disse...

Ei,moçaa..
Obrigada pela visita.. através de seu comentário pude conhecer esse teu cantinho tão lindo,aconchegante.

Voltarei aqui.
Grande beijo!

^^

Nydia Bonetti disse...

Me senti dentro deste Jardim. E o vento soprando... Lindo, Gaby. Beijo.