terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Segurando Sorrisos e Estrelas


Thamires nasceu em um dia nublado, a chuva caia em flocos fazendo aquele barulho típico na janela, poucas pessoas se encontravam e sorriam de emoção com o nascimento da pequena menina que sorria sem parar depois de um pequeno choro, suas mãos seguravam sua própria barriguinha, nos colos da mãe continuou a se segurar e sorrir, a mãe ficou confusa com o jeito da menina se segurando como se fosse cair, mas o sorriso de Thamires era tão doce que logo sua mãe estava sorrindo junto com ela, a chuva em flocos continuava a fazer ploc ploc na janela e Thamires já sabia que iria gostar daquele barulho durante toda sua vida.
A menina foi crescendo e não perderá o costume de segurar sua barriga, vezes segurava seus braços, seu rosto, seus cabelos, suas pernas, pés e mãos, segurava seus sentimentos, suas emoções e suas lembranças, segurava tudo tão bem dentro de si que sua mãe olhava pela janela toda vez que a menina saia para brincar e se sentia confusa, Thamires virava para a janela e sorria para a mãe, que só conseguia retribuir o sorriso da filha.
Quando já moça Thamires se mudou para o centro da cidade, levou alguns objetos, cadernos, recordações, ao se despedir de sua mãe ela segurou forte contra seu peito na hora do abraço, entrou no táxi apertando as mãos uma na outra, a mãe confusa sorriu e acenou.
Thamires gostava do centro, gostava do teatro municipal, gostava de olhar para as pessoas mesmo que estas nem reparassem em sua pessoa atravessando avenidas, um dia segurou sua barriga cheia de borboletas no momento que uma pessoa reparou nela no meio da multidão, ela passou a ver o rapaz frequentemente, passou a escutar mais os pássaros, já sabia diferenciar cantos e melodias, segurava os lábios quando escutava e um dia chegando perto dela o rapaz perguntou:
- O que tanto segura?
Ela assustada não soube o que responder de imediato e logo disse:
- Me seguro para não cair em partes conforme eu ando.
- E porque cairia em partes?
- Todos dizem que somos outros a cada momento, não quero perder o bom dentro de mim lá atrás quando conquistar outro bom aqui na frente.
Desse dia em diante Jonathas se tornou seu grande amigo, logo seu namorado, um amor que Thamires segurava a cada beijo, a cada saudade e a cada presença, foi Jonathas que a segurou quando sua mãe se foi num dia de sol.
O casamento de Thamires foi num dia brilhante, ela segurou o coração ao entrar na igreja, sentiu imensas dúvidas, mas apenas sorriu. Thamires e Jonathas mudaram de cidade, ele se tornou arquiteto e ela preferiu estudar botânica e logo abriu uma floricultura, segurava na palma da mão todas as flores que vendia. Os filhos vieram, um menino e uma menina, muitos natais ela segurou, muitos passeios, muitas conversas, muitos sorrisos, tentou segurar até o último minuto a mão de Jonathas quando este adormeceu num dia de outono e fora dessa vida, Thamires com a perda se segurou.
Num dia nublado e de chuva, as gotas faziam ploc ploc na janela do seu quarto, Thamires tinha mel sobre sua mesinha de cabeceira e sorria para os filhos que preocupados diziam para a mãe:
- Tem certeza que não quer ir para o hospital mamãe?
- Certeza absoluta meus filhos, eu estou me segurando muito bem, e se caso não der mais o que importa? Eu sempre quis segurar as estrelas.
Thamires fechou os olhos e segurou sua barriga, um sorriso doce se formou em seus lábios, seus filhos queriam chorar, se sentiam confusos quando a mãe adormeceu, mas eles só conseguiram sorrir quando viram que embaixo das mãos dela se encontravam algumas estrelas, a chuva fazendo ploc ploc e eles só conseguiram sorrir.

18 comentários:

Alice disse...

Minha doce flor Gaby,

eu fico muito feliz de saber que ainda existem pessoas como você, dona de adjetivos qualificantes mil, cheia de poesia.

' ... sua mãe se foi num dia de sol.'
'... tentou segurar até o último minuto a mão de Jonathas quando este adormeceu num dia de outono. '
' Eu sempre quis segurar as estrelas. '

Me apaixonei por mais essas suas lindas palavras, cheias de suavidade, doçura e poesia.

Abraço apertado.

Thais Michele disse...

Lindo conto amiga, vc a cada dia encanta mais!!
Quase chorei.. rs

beijos

Rá ~° disse...

aahh sem palavras Gaby! *.*

Texto LindO!

Beijos

Iasminne Fortes disse...

eu adoro quando você mistura seus textos com diálogos. Ficou lindo, Gaby! Segurrar estrelas me lembrou uns trechos de Pequeno Príncipe, essa mistura de doçura com astros.

Adoro o teu cantinho =*

ALUISIO CAVALCANTE JR disse...

Cara amiga.

Existem textos que só o coração pode tecer comentários.
Este é um deles.

Simples e verdadeiro.

Uma semana de paz para ti.

Impulsiva disse...

Gaby que blog lindo, dá pra sentir a delicadeza ao abrir a página. Vim retribuir sua visita e dar uma passeada nas tuas palavras...

Voltarei sempre!!!

Beijos linda.

Denise Portes disse...

Gaby
O seu blog é muito lindo e eu fiquei muito feliz que você foi me visitar lá nos meus delírios. vou estar sempre aqui.
Um beijo
Denise

Denise Portes disse...

Gaby
Esqueci de escrever que já sou sua seguidora há algum tempo!
Beijos
Denise

Talita Prates disse...

Gaby, que texto, que singeleza profunda!
Como me tocou!
Traz questões psicológicas e filosóficas - questões de vida, portanto - de uma forma extremamente tocante.

"- O que tanto segura?
Ela assustada não soube o que responder de imediato e logo disse:
- Me seguro para não cair em partes conforme eu ando.
- E porque cairia em partes?
- Todos dizem que somos outros a cada momento, não quero perder o bom dentro de mim lá atrás quando conquistar outro bom aqui na frente."

Esse diálogo é primoroso e o cerne de todo o texto!

Parabéns!

Um bjo,
cá estou seguindo também.

Talita
História da minha alma

PS: agradeço imenso a visita lá no blog. :)

Talita Prates disse...

PS 2: esse diálogo me lembrou Clarice. Sim, a Lispector.

Bjo.

a magia da noite disse...

quando o corpo não sustentam mais a alma esta parte, não se chora porque acabou uma viagem, sorri-se porque outra acabou de começar.

THAYSA AGUIAR disse...

O seu blog ta lindo !

Seguindo o seu blog, segue o meu? :)

DE INVERNO A VERÃO: https://www.deinvernoaverao.blogspot.com/

Bjz, agradeço desde já a colaboração.

Thami disse...

Ô Gabizinha, te dizer que já li esse texto há muito tempo e sempre acabo voltando na esperança de que as lágrimas toldem menos os meus olhos e eu possa comentar algo com sentido. Primeiro, talvez, porque o fato de a personagem ter assim um nome igualzinho ao meu me toca tão fundo que nem sei dizer. Depois porque você escreve coisas tão bonitas que chega a ser uma homenagem à leveza, à doçura, às próprias palavras que estão sendo usadas no texto.
Como é uma delícia ter você mais perto desse jeito!

um beijo!

Carlos disse...

é dificl segurar as lágrimas ='-)


lindo texto

Thainá Rosa disse...

Faz muito tempo que eu não leio algo tão bonito e tão doce.
Gostei tanto,tanto que nem sei dizer!

Anônimo disse...

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