terça-feira, 29 de dezembro de 2009


Ele dizia que ela era como a luz de uma vela, uma luz serena que aparecia no meio do escuro trazendo uma iluminação suave, uma luz que não ofuscaria os olhos, aquela que iluminava em tom de laranja doce quando ele pegava entre as mãos o caderno e começava escrever uma palavra.
Ela dizia que ele era como aquelas pequenas xícaras de porcelana que arrumava com delicadeza para tomar chá à luz de velas, faltará luz naquela noite e ela pensava que ele era frágil dentro do seu coração, que a qualquer momento poderia cair e quebrar em pedaços, mas as xícaras de sua infância ainda permaneciam ali intactas junto a ela.
Ele soltava um sorriso imaginando como seria o rosto dela, seria parecida com uma fada? Quando a visse imaginaria que tinha saído de dentro de uma floresta encantada, ele sorria imaginando todas as formas que ela poderia ter.
Ela deixava lágrimas caírem quando não conseguia ver o rosto dele nas nuvens, imaginava que ele nunca se mostraria para ela, seria sempre um amontoado de nuvens em dia nublado sem forma, e acreditava ainda assim que um dia pegaria com seus dedos lápis de cor e desenharia pra que o nublado se fosse.
Ele olhava a chuva a cair e imaginava qual seria a primeira palavra que ouviria dela. Ela olhava o sol e pensava qual seria o primeiro gesto que enxergaria.
Os dois moravam naquele cantinho diferente, e nunca tinham visto um ao outro, talvez distante, talvez perto, talvez fora do olhar e dentro do coração. Toda vez que a primeira estrela aparecia no céu eles olhavam, não se conheciam e se imaginavam, amavam a imagem um do outro que nunca tinham visto, e no mesmo instante ele pensava que ela seria uma pequena luz de vela semelhante à estrela, ela pensava que ele era como a xícara de porcelana também semelhante à luz brilhante no céu. Estrelas também morrem como uma luz de vela que se apaga, como uma xícara que cai ao chão, mas as estrelas vivem o suficiente para brilhar, pra eles se encontrarem, pra eles se verem nos sonhos, e no fim entenderiam que moravam na mesma estrela.

11 comentários:

Alice disse...

apaixonante Gaby!

palavras que soam como sinos e elevam o coração, dá até pra sentir o gosto do vento. *-*

você me encanta!

Pri C. Figueira disse...

Poetisa linda!

Que saudade de ler seus encantadores textos! Como sempre suas palavras emanam doçura, simplicidade e sentimento!!
AH, como é bom ouvir novamente essa doce melodia!

Um grande beijo.

Rá ~° disse...

Cheia de esperança... é como eu me sinto lendo seus textos!

Lindo *.*

Grande beijo

Thais Michele disse...

Lindo amiga...
adorei a comparação, o texto, simplesmente um encanto!

beijo

Priscila Farias disse...

Sim! Não consigo viver sem o blog! Haha

Adorei o texto, pelo fato deles nem se conhecerem e já se amarem! Achei muito bonito! (:

Marina disse...

Seu texto me fez lembrar do trecho de uma música: "Eu sabia, antes de te conhecer,
Que meus sonhos me guardavam para você,
Esperando a hora de te encontrar."

Delicado e belo, Gaby. Beijos.

Iasminne Fortes disse...

o bom de te ler é imaginar as cenas, como num filme cheio de doçura e sonhos. Adorei teu texto, Gaby! História linda, linda 'dos dois'.

=**

Vivendo na Eternidade disse...

A relação entre suas imagens e suas palavras são belíssimas. O prazer de escrever e ler se encontra quando conseguimos analisar tudo que enxergamos, transformando isso em arte, seja através de traços, palavras ou imagens imortalizadas. Parabéns, mais uma vez, pois mesmo sem conhecermos suas personagens, já torcemos profundamente pra que um dia se encontrem.

Grande abraço, Gaby.

Alice/Carter.

David Monsores disse...

Olá Gaby!
Quanto tempo...
Vejo que o título do blog condiz perfeitamente, com teu jeito, tua foto, tuas palavras cheias de doçura e canção.
"Estrelas também morrem como uma luz de vela que se apaga, como uma xícara que cai ao chão..."
Bacana essa parte do desfecho! A beleza e sutiliza de tais objetos.
beijO menina!

O Bernardo disse...

Gostei particularmente da última frase.

Dois Rios disse...

Oi, Gaby,

Grata pelo carinho da sua visita.

Gostei muito do que li por aqui. Voce é uma contista nata. Peguei carona nos seus sonhos e aterrizei num chão de estrelas.

Beijos,
Inês