segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Consertando as Asas.


Numa tarde chuvosa de sábado Elisa estava sentada no último degrau da escada, seus pés estavam molhados pelas gotas que caiam, porém,o restante do seu corpo estava seco pelo pequeno telhado que existia na escada na frente de sua casa,sua bolsa estava num dos degraus e ela usava uma calça jeans com uma blusa quentinha vermelha,seus cabelos tinham alguns pingos de água,seus olhos também,mas os pingos que estavam nos seus olhos eram diferentes daqueles que caiam na rua,que caiam sobre seus pés e que estavam nos seus cabelos,os pingos dos seus olhos tinham um gosto salgado,não vieram das nuvens mas de uma nuvem que habitava naqueles olhos com reflexos acinzentados daquela tarde,e logo uma chuva se fez dentro e se fez fora,qual tinha começado primeiro era um mistério.
Ficou ali juntando o doce com o salgado por um tempo, horas talvez, a chuva já ia parando devagar, eram pequenas gotinhas agora e o céu ainda tão nublado quanto no começo, uma senhora passou um pouco apressada, um menino correndo e um cachorro cheirou seus pés e foi embora, e suas lágrimas ainda estavam ali, barulhos pequenos começaram a vim de dentro da sua casa, mas ninguém abria a porta, como de costume ainda pensavam que Elisa estava na escola, nunca voltava antes da hora o que foi muito bom para ela que pode ficar ali sentada por esse longo tempo sem ninguém perceber sua presença.
Uma mulher passou com passos pequenos, estava tão molhada e mesmo assim andava com muita paciência com uma bolsa enorme, passava na calçada de Elisa e logo chegaria perto dela, olhou nos olhos profundamente e deu um leve sorriso, Elisa encharcada de lágrimas não retribuiu, ao passar a mulher deixou cair uma anjinha de porcelana no chão que com um baque suas asas quebraram, Elisa levantou e pegou a anjinha e suas asas e foi entregar para a mulher, a chuva estava bem mais fraca.
- Você deixou cair isso – disse Elisa cutucando a mulher.
Ela olhou para a anjinha e depois para Elisa por uma questão de segundo e disse:
- Que distração a minha.
- Talvez ainda dê para consertar as asas dela – Elisa disse.
- Sim talvez dê, ganhei essa anjinha há tanto tempo... – continuou como se fosse começar a contar uma história.
- Sinto muito não poder escutar agora – disse Elisa interrompendo – tenho tanta coisa pra fazer – e estendeu a mão para a mulher entregando a anjinha.
- Acredita em anjos? – perguntou a mulher.
- Sim acredito, como poderia não acreditar?
- Foi só uma pergunta.
- Preciso ir tome – Elisa estendeu mais uma vez a anjinha.
- Fique com ela menina, ela vai voltar a voar lindamente se você souber consertar as asas, assim como você se souber consertar esse coração que só chora.
- Mas...
- Fique – disse a mulher interrompendo – É só uma anjinha de porcelana que ganhei a tanto tempo quando era uma menina como você.
- Obrigada – disse Elisa.
A mulher continuou a caminhar pela calçada e Elisa ficou ali parada com o chuvisco em sua mente e com a anjinha de asas quebradas na mão já ia se virando quando a mulher a chamou:
- E acredite em anjos menina, acredite.
Elisa entrou em sua casa sem dizer nada, com um sorriso leve no rosto, consertou as asas da anjinha e colocou-a bem perto da sua cama, pensou que era apenas um presente, apenas uma anjinha de porcelana, embora sua forma existisse no plano real e não só na porcelana. Elisa consertou as asas da anjinha e essa lhe deu também asas e a fé no que existe de bom.

9 comentários:

CaiXote De PanDoRa disse...

Lindo...
Tu tens o dom da palavra.
Dialética astuta.
Tudo de bom pra ti.
Serei tua seguidora.

Beijos...
depois da uma olhadinha no meu blog
http://ocaixotedepandora.blogspot.com/

Rá ~° disse...

Textos lindoos e um espaço encantador! *.*
Parabéns Gaby!

Beijo Grandee!

Alice disse...

Você faz mesmo agente voar nessas palavras menina !

Jairo Souza disse...

Mt Lindo o texto Gaby! As vezes encontramos a esperança nos pequenos gesto!

Priscila disse...

Aw, obrigada!

Lindo texto!

Beijos

Nuriko disse...

Que lindo isso. Fiquei arrepiado!

Non je ne regrette rien: Ediney Santana disse...

adorei tua literatura

Marina disse...

Eu acredito em anjos. Olho pro céu e nunca os vejo, porque eles vivem entre nós.

Clara disse...

Perfeito.!
Suas palavras são lindas e seu dom maravailhoso.!

Vou te seguir para ter sempre suas palavras por perto.!

Depois passa lah no meu... [cantosdeclara.blogspot.com]

beeijos